With Borders

No Borders

27/09/2012

MARCELO ROSENBAUM PARTICIPA DA BIENAL BRASILEIRA DE DESIGN

Belo Horizonte - Como primeiro palestrante do “Seminário Módulo – Design e Tecnologia”, o arquiteto paulista Marcelo Rosenbaum lotou, na noite de terça-feira (25/9), o Palácio das Artes, onde está instalada a mostra principal da IV Bienal Brasileira de Design, “Da Mão à Máquina”, com sua apresentação sobre o projeto A Gente Transforma: História que conta.
Rosenbaum, hoje, é um dos grandes nomes do design brasileiro. Vencedor do primeiro prêmio do Museu Casa Brasileira, tornou-se popular ao ter seu nome ligado à TV através do programa Caldeirão do Huck, na Rede Globo, onde é o responsável pelo quadro “Lar Doce Lar”, que transforma residências populares. Rosenbaum já desenhou móveis para a classe A e agora, aproveitando a popularidade começa a realizar seu sonho de produzir para as classes C e D.
O projeto de requalificação urbana do Parque Santo Antônio, comunidade carente na Região Metropolitana de São Paulo, provocou uma revolução no pensamento de Marcelo Rosenbaum. Depois que liderou no local, em meados de 2010, a ação coletiva A Gente Transforma, ele passou seis meses de peregrinação por entidades públicas e privadas para tentar multiplicar o projeto Brasil afora, período em que minguaram os clientes em seu escritório. E foi justamente sobre o projeto , hoje um sucesso, que ele falou durante uma hora e dez minutos.
A Gente Transforma é um projeto alinhado com o pensamento sobre o conceito do morar ampliado além do projeto do espaço físico e da estética do objeto. O morar e o design são interpretados sob seu recorte dos valores de brasilidade, autoestima, cultura popular, memória e inclusão. A Gente Transforma mergulha nas culturas que formam o Brasil, na mistura de raças, nas raízes ancestrais.
O primeiro movimento aconteceu em 2010 no Parque Santo Antônio, em São Paulo. Uma comunidade esquecida e que recebeu o projeto de braços abertos. Arquitetos, urbanistas e estudantes vindos de várias regiões do Brasil e da Inglaterra trabalharam de mãos dadas com os moradores da comunidade. Essa união deu início a um novo Parque Santo Antônio, mais humano, mais sensível, com a autoestima elevada.
O segundo movimento aconteceu em um dos lugares mais áridos do Brasil, com nove meses de seca por ano e onde as pessoas vivem da agricultura de subsistência. Um lugar aparentemente sem oportunidades, mas com um rico acervo de técnicas artesanais que estavam esquecidas e que agora renascem. Em Várzea Queimada, no sertão do Piauí, antigos saberes dos povos tradicionais serviram de inspiração para criar uma coleção exclusiva, esteticamente avançada e produzida em parceria com artesãos que guardam séculos de conhecimento.
A cidade de Várzea Queimada convive com oito meses de seca por ano, agricultura de subsistência e muito calor. As casas não têm banheiro, as torneiras não têm água. Não tem telefone, não tem internet. Mas tem muita conversa, diversão e união. Segundo Rosenbaum, a distância que separa Várzea Queimada de uma cidade moderna não pode ser medida em quilômetros. Existe uma separação de tempo e não somente uma distância geográfica.
A comunidade escolhida passou por uma grande transformação. Lá, homens e mulheres trabalham no artesanato. A criação de peças de palha de carnaúba é uma atividade tipicamente feminina. Os homens trabalham com a borracha, reciclando pneus e criando joias e peças de decoração.
Intitulada “Toca”, a coleção de peças de design dos artesãos de Várzea Queimada ganhou o mundo e foi lançada internacionalmente durante a Semana de Design de Milão, na exposição “Fronteiras”. O A Gente Transforma ainda foi tema do São Paulo Fashion Week, e contou com uma ajuda de peso em sua divulgação.
De acordo com Rosenbaum, isso tudo foi feito para desmistificar o trabalho de artesanato brasileiro e mostrar a importância e o valor desse tipo de material. Uma das peças produzidas em Várzea Queimada, o “Rosário”, está exposto na mostra “Da mão à Máquina”, no Palácio das Artes. O mix de produtos está à venda em conceituadas lojas de decoração do Brasil.
Após a palestra, Marcelo Rosenbaum falou sobre a importância de eventos como a Bienal Brasileira de Design. “É muito importante despertar o olhar das pessoas para a diversidade cultural, para os talentos do país, pra esse design humano. E a bienal propõe esse tipo de discussão, faz multiplicar esse pensamento”, comentou.
Sustentabilidade
O Seminário continuou na noite dessa quarta-feira (26/9), no Palácio das Artes, com a palestra de Nido Campolongo, tendo como tema: “Redesign e Sustentabilidade”. Conhecido como o artista do papel por explorar peças recicláveis. Nido Campolongo cursou Engenharia Civil na Faculdade de Engenharias São Paulo, mas sempre se interessou pelas artes plásticas.


Iniciou sua carreira aos 17 anos, na tipografia de seu pai, e abandonou a universidade após quatro anos de curso. Nos anos 90, o artista foi introduzido ao universo do design, projetando interiores. Na década seguinte, realizou trabalhos na América do Sul e Europa, e estabeleceu parcerias com importantes empresas como Natura, Unilever, Klabin e Banco Itaú. Participou da 3ª Bienal Brasileira de Design e da 2ª Bienal Iberoamericana de Design na Espanha.

Fonte: MDIC