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28/09/2012

GARÓFALO, DA CAMEX, PEDE RACIONALIDADE CAMBIAL

O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Emílio Garófalo, não poderia ser mais claro ao mostrar a importância do câmbio para o mundo. Lembrou que, após a II Guerra Mundial, os países líderes, antes de criar a ONU, se reuniram, em Bretton Woods, para cuidar da questão cambial. A afirmação foi feita no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex) promoção da Associação das Empresas de Comércio Exterior (AEB), que está em sua 31ª. edição anual.
Para Garófalo, o câmbio fixo é burro, pois não contém a entrada excessiva de moeda forte nem evita sua saída. O ideal é o câmbio flutuante, agora adotado pelo Brasil, mas ressaltou que só funciona se os parceiros comerciais também atuarem na mesma linha, o que, definitivamente, não ocorre.
- Nosso maior parceiro, a China, tem um câmbio dirigido. Nos Estados Unidos, a situação é muito especial, pois a moeda deles é a moeda mundial e, o que é pior, eles anunciaram intenção de duplicar suas exportações e, daí, despejam dólares pelo mundo – afirmou.
Quanto a outro parceiro importante, a Argentina, disse Garófalo: “sem palavras” – para expressar sua visão em relação a um país com enormes problemas cambiais, que chega a limitar viagens ao exterior de seus cidadãos. Em resumo, portanto, o Brasil precisa, para Garófalo, ter cuidado com sua política cambial. Acrescentou que, felizmente, o Brasil interveio no câmbio quando o dólar estava cotado a apenas R$ 1,50. “É a flutuação suja, que, em tempo, foi adotada. Com câmbio naquele nível, qualquer política de exportação seria ineficiente”, citou.
Acentuou que sua previsão para o saldo comercial, este ano, é de US$ 18 bilhões, mas explicou ser sua estimativa, não do Ministério do Desenvolvimento. Admitiu que o sistema cambial mundial está “bagunçado” e manifestou esperança de que haja algum acordo, através da Organização Mundial do Comércio (OMC). De imediato, analistas de comércio exterior comentaram, nos bastidores do Enaex, ser isso uma espécie de sonho de uma noite de verão, pois, afinal, a OMC mal consegue controlar o comércio, o que se dirá do câmbio.
Moreira critica
O presidente da AEB, Benedito Moreira, tem longa tradição no comércio exterior. Foi o todo-poderoso diretor da Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex) nas décadas de 70 e 80, quando o cargo, na realidade, era muito mais importante do que sua nomenclatura dá a entender.
No Enaex, Benedito começou por ironizar a decisão brasileira de elevar tarifas de importação: “Isso funcionava no meu tempo, hoje está fora de moda. Essa mentalidade ultrapassada tem de ser desmontada”. Disse que os países ricos, mais sofisticados, em vez de elevar tarifas, aparecem nos fóruns internacionais a declarar que gostam de importar e, na prática, criam barreira não tarifárias, invisíveis.
Entre essas barreiras citou: medidas fitossanitárias, padrões tecnológicos, índices de qualidade, questões ambientais, preferência a ex-colônias etc. Citou que uma das piores restrições é a restrição a países acusados de agredir o ambiente ou pagar salários vis, por ser subjetiva. Comentou que a China parece não ligar para essa duas restrições, por seu poderio, mas o Brasil é afetado.
Indicou como outra forma de competição desleal no comércio o subsídio aos fretes, método largamente usado pelos asiáticos, com a China à frente. Afirmou que, durante décadas, os Estados Unidos deram preferência a seus próprios produtos – através do Buy American Act – e, felizmente, agora o Brasil ameaça copiar o sistema.
Embora ache boa a receita obtida com a produção agrícola e minério, disse que o Brasil não pode se manter, no século XXI, fora da exportação de itens de alta tecnologia. Embora o mundo tenha fome, destacou que os produtos agrícolas não representam mais de 12% do comércio mundial. Repetiu que o Brasil “é comprado”, em vez de vender e afirmou que as reservas de US$ 300 bilhões serão pouco significantes, se houver queda nos preços de commodities.
Moreira criticou o fato de que o Brasil ainda tem mil produtos para os quais há necessidade de licença prévia para importação e comentou: “Temos de desmontar a mentalidade ultrapassada de controle miúdo”. Afirmou que, apesar da crise, o comércio mundial vai crescer mais de 2% este ano e que sempre haverá espaço para empresas e países eficientes.

Fonte: Export News