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02/10/2012

EX-COLÔNIAS SÃO ESPERANÇA PARA MELHORA DA ECONOMIA DE PORTUGAL

A forte presença de brasileiros e angolanos em lojas, hotéis e escritórios de Lisboa é reveladora. As ex-colônias representam uma esperança para Portugal, num momento em que a atividade econômica, as contas públicas, a necessidade de mais ajustes e o desemprego compõem um cenário nada promissor, diante do qual a população está desiludida.
Brasil, Angola e Moçambique podem oferecer vagas de trabalho, negócios e capital, além de matéria-prima para a antiga metrópole, que em agosto divulgou uma previsão do Produto Interno Bruto (PIB) revisada para baixo: deve encerrar 2012 negativo em 3%. Outros países emergentes estão também na mira de Portugal e demais países europeus, mas as ex-colônias têm evidente preferência devido à identidade cultural e linguística, além do prévio conhecimento das condições sócio-econômicas e estruturais.
“Economias como o Brasil, a China, a Índia e a Rússia atravessam ciclos de forte crescimento que tendem a ser duráveis. À sua volta, florescem novos mercados, novas perspectivas de negócio e oportunidades de parceria”, disse o ministro da Economia e Emprego de Portugal, Alvaro Santos Pereira. “A lusofonia tem sido historicamente um instrumento poderoso no relacionamento entre os povos e na interação cultural. Mas representa também cada vez mais um ativo precioso na interação econômica.”
A afirmação foi feita para um grupo de mais de cem empresários e executivos durante o 1º Fórum Empresarial do Algarve, organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais).
“Portugal tem um enorme interesse pelas empresas brasileiras, que podem entrar no país neste momento”, disse Antônio Borges, consultor do governo português nas privatizações, responsável de venda das estatais, uma das principais medidas adotadas para botar as contas do país em dia. “O investimento brasileiro em Portugal tem sido notável. Isso nos dá muita confiança.”
Também no evento, o comissário-geral para o Ano de Portugal no Brasil, Miguel Horta e Costa, o país poderá ser de valia com as reservas de petróleo e o crescente consumo interno, que permitirão investimentos portugueses.
“As empresas portuguesas podem aproveitar a oportunidade de países que precisam de infraestrutura, como os emergentes”, disse Luiz Fernando Furlan, que foi ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo Lula. Ele destacou, como fato positivo no desenvolvimento de negócios, as facilidades culturais, principalmente pelo idioma.
Segundo dados apresentados pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL), atualmente, 22 países são considerados mercados emergentes, entre eles, os mais desenvolvidos são China, Brasil, República Checa, Índia, África do Sul e outros; já os menos desenvolvidos passam por Argentina, Colômbia, Peru, Egito, Indonésia, Malásia e outros. Os países emergentes representam metade do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e 80% da população global vive nestes mercados. A entidade afirma ainda que o poder de compra cresce nestes países, em média, a uma taxa de 15% ao ano. Paulo Neves, presidente da entidade, frisou as vantagens de contar, nos países em desenvolvimento, com muita mão de obra, frequentemente barata.
Roger Ingold, presidente da Accenture e do comitê de Inovação do Lide, reforçou o entusiasmo com o vigor dos emergentes, apesar de também serem atingidos pela crise global: “Neste ano, o comércio emergente-emergente ultrapassa o desenvolvido-desenvolvido, uma quebra de paradigma.”


Empresários querem elevar acordos bilaterais


Paralelamente a iniciativas governamentais, como o “Ano de Portugal no Brasil”, seminários e eventos vêm servindo para materializar o interesse e o esforço de ampliação dos laços comerciais entre empresas brasileiras e portuguesas.
No ultimo fim de semana, o Lide (Grupo de Líderes Empresariais), que tem uma unidade em Portugal desde junho do ano passado, realizou seu “1º Forum Empresarial do Algarve”, no litoral sul de Portugal, reunindo cerca de 300 executivos e empresários do país-sede e três ex-colônias — Brasil, Angola e Moçambique. O evento, que deverá ter edições anuais, recebeu palestrantes como o ministro da Economia e Emprego de Portugal, Alvaro Santos Pereira, o secretário-adjunto e de assuntos europeus, Miguel Morais Leitão, e os brasileiros Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e presidente do conselho de administração do grupo Sadia, e o economista Sérgio Rabello de Castro, ambos membros do Lide.
Na semana que vem — dias 8, 9 e 10 —, o ciclo de palestras “Fazendo Negócios no Brasil - Abordagem Prática na Internacionalização do seu Negócio” levará especialistas brasileiros para cinco cidades portuguesas: Lisboa, Braga, Porto, Leria e Setúbal. Eles falarão sobre oportunidades e vários aspectos da realização de negócios no Brasil, incluindo as peculiaridades do sistema tributário, as possibilidades de financiamento e as características operacionais e logísticas do comércio exterior. (www.inofin.pt ).
A Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia, por sua vez, promove seu “5º Seminário de Oportunidades de Negócios Bahia-Portugal — Unindo Forças, Quebrando Fronteiras” nos próximos dias 18, 19 e 20. Mais informações podem ser obtidas no site do evento (www.bahiaportugal.com.br).
Para fazer as viagens, os empresários contam, além dos 75 voos semanais da TAP, saindo de diversas cidades brasileiras, com uma nova companhia. A portuguesa Sata entrou na competição, operando, desde o dia 27, um voo Salvador-Lisboa, usando um Airbus A 310 com capacidade para 220 pessoas.
E, no mês passado, o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Passos, esteve no Brasil, numa comitiva com um grupo das 13 maiores empresas nas áreas de energia, saneamento, transportes e construção civil. Foram à Fiesp e ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, saber mais sobre os projetos que serão oferecidos à iniciativa privada na forma de PPP (Parceria Público-Privada). Recebidos pelo vice-governador Guilherme Afif Domingos, que também é presidente do Conselho Gestor de PPPs, foram informados de que o estado vai investir R$ 60 bilhões em infraestrutura, uma grande oportunidade para as companhias portuguesas, que estão com estruturas ociosas.
Na Fiesp, Portas fez um convite a Paulo Skaf, presidente da entidade, para que prepare uma missão comercial para visitar Portugal no ano que vem. “Tivemos uma excelente reunião de trabalho, que vai resultar no estreitamento da relação econômica entre Portugal e Brasil. Nós convidamos o presidente da Fiesp para fazer uma missão nos próximos meses, e (os empresários brasileiros) serão recebidos como irmãos, amigos e sócios”, afirmou Portas, durante o seminário “Oportunidades de Investimento em Portugal”, no último dia 5. “Deixamos já confirmado o interesse da federação de realizar uma missão a Portugal, provavelmente, no primeiro trimestre de 2013”, respondeu Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da federação.

Fonte: IG