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02/10/2012

MOSTRA “DESIGN DE CARROS: RUPTURAS E INOVAÇÕES” INTEGRA A PROGRAMAÇÃO DA IV BIENAL BRASILEIRA DE DESIGN

Belo Horizonte - Após uma série de pesquisas de público, quando se busca “captar” o desejo dos consumidores, o projeto de um carro segue às mãos de talentosos profissionais capazes de transformar sonhos em linhas ousadas e funcionais. Designers de automóveis são indivíduos habituados a criar produtos que, ao mesmo tempo, dialogam com a arte, a técnica e o cotidiano das pessoas. De 28 de setembro a 31 de outubro, na Casa Fiat de Cultura, o público mineiro terá a oportunidade de compreender a evolução do design de carros, assim como de participar de debates em torno de suas múltiplas aplicações. Parte da programação da 4ª Bienal Brasileira de Design, a mostra Design de Carros no Brasil – Rupturas e Inovações pretende, justamente, incitar o debate acerca da relação entre o design, a produção automobilística e as expressões artísticas.
Promovida pela Fiat Automóveis, em parceria com o Governo de Minas, a LIRA, a Base7 Projetos Culturais e a APPA, a exposição foi motivada pelo fascínio da sociedade brasileira – e, especificamente, a mineira – por carros. Segundo o curador da exposição, Paulo Nakamura, responsável pela área de design do Fiat Design Center LATAM, a mostra buscará apresentar aos visitantes um panorama do desenvolvimento do design automotivo no Brasil, paralelamente à evolução da própria história da indústria do setor no país: “Também contaremos a história dos pioneiros da criação do ‘sonho do carro brasileiro’. Nessa linha de desenvolvimento, temos momentos nos quais formas, conceitos e processos sofreram mudanças e rupturas, criando as inovações que trouxeram – ou trazem – a evolução, seja do automóvel, da indústria ou da sociedade”.
Neste sentido, dentro da proposta temática da Bienal em 2012, Design de Carros no Brasil pretende revelar a influência da diversidade brasileira na criação dos automóveis – e, por outro lado, a influência dos carros na vida das pessoas: “Apesar da presença de automóveis há muito tempo no Brasil, ainda somos um país jovem no que se refere ao design. Essa é a importância da mostra: apresentar o histórico dessa evolução, os pioneiros da área e mostrar a cara dos designers, por trás dos carros que vemos nas ruas”.
Além de apresentar ao público a linha cronológica do automóvel no Brasil, a mostra contará com trabalhos de quatro consagrados artistas – Regina Silveira, Cao Guimarães, Cris Bierrenbach e Máximo Soalheiro –, que, em suas obras, abordam a relação entre os carros e o imaginário popular. Os visitantes da exposição também terão a oportunidade de acompanhar de perto o desenvolvimento do ofício de um designer de veículos. Num dos espaços da Casa Fiat de Cultura, haverá reprodução de um escritório de design automotivo.


Os artistas e suas obras


A exposição dos trabalhos de quatro renomados artistas brasileiros busca fomentar, em Minas Gerais, o debate em torno dos tênues limites entre fruição estética, desenvolvimento cultural e melhoria da qualidade de vida. De um lado, as artes visuais abrem as portas para outros meios de expressão artística; de outro, o design é, por vezes, apropriado pelos artistas: “A tela de um bom artista nos permite sensações diversas. Da mesma forma, o designer gera impactos e se apropria dos desejos e sentimentos da sociedade, criando produtos que atendam a seus anseios de responsabilidade social e ambiental, desenvolvimento e sustentabilidade”, ressalta Ricardo Ribenboim, director da Base7 Projetos Culturais. Durante a mostra Design de Carros no Brasil – Rupturas e Inovações, o público terá a oportunidade de conferir, na Casa Fiat de Cultura, os seguintes artistas e/ou obras:


Regina Silveira
(Porto Alegre, RS, 1939)
Derrapagem, 2005/2012


É notória a importância assumida pela obra de Regina Silveira no panorama artístico nacional e internacional. Desde o final da década de 1960 e começo dos anos 70, a artista desenvolve trabalhos em que malhas geométricas e perspectivas aparecem de maneira marcante. O público terá a oportunidade de ver a instalação Derrapagem (2005/2012), de Regina Silveira, artista de notória importância nos panoramas artísticos nacional e internacional. Derrapagem constitui-se da representação de sombras, criadas com base em distorções projetivas inventadas, nas quais o elemento causador não está presente. Para tanto, a artista utiliza-se de sombras como índice de ausência, provocando questionamentos sobre a natureza da representação visual e o modo como se apresenta à percepção do observador.
Cao Guimarães Belo Horizonte, MG, 1965.


Memória, 2008


Um dos nomes de maior destaque no cenário atual da videoarte brasileira, o mineiro Cao Guimarães apresentará o vídeo Memória (2008), que une o presente, passado e futuro na imagem em movimento capturada através do pára-brisa de um carro que percorre uma estrada na Grécia. A paisagem aparece em ambas as direções, visto que o enquadramento engloba tanto a visão do que está à frente do carro quanto a imagem refletida no espelho retrovisor. O filme foi gravado em plano-sequência, sem cortes, de forma a exibir um retrato do tempo que passa nessa locomoção no espaço.


Cris Bierrenbach


(São Paulo, SP, 1964)


Em seu processo investigativo, Cris Bierrenbach vem desenvolvendo trabalhos a partir de diferentes suportes, sendo a fotografia e o vídeo os mais recorrentes. Por meio dessas mídias, a artista põe em destaque uma série de discussões, principalmente sobre o corpo da mulher, que problematiza os estereótipos aos quais está suscetível. Muitas vezes, a artista se utiliza de seu próprio corpo, característica que atribui a seus trabalhos um forte dado autobiográfico. A preocupação com o universo feminino, no entanto, não se limita a esse aspecto.
Em outros trabalhos, Bierrenbach amplia o escopo de interesse, ao abordar a problemática do corpo para além de seus limites físicos, e, assim, também compreendê-lo como parte do contexto que o circunda. Essa é a proposta de Desafios (2012), apresentado na exposição. O vídeo revela a sutileza do olhar de um transeunte anônimo, que, de bicicleta, coloca-se em confronto com a agressividade do trânsito de uma grande cidade.


Máximo Soalheiro
(Sardoá, MG, 1955)


Outro nome presente na mostra é Máximo Soalheiro, que, desde a década de 1970, é reconhecido pela pesquisa empenhada nas áreas da cerâmica e da tipografia. A assim denominada “azulejaria tipográfica” de Soalheiro seleciona elementos entre ornamentos de antigas oficinas gráficas, para servir a uma das questões de fundo de seu trabalho – a modulação. Os elementos são fotografados e depois reproduzidos vetorialmente em computador, transformando-se em desenho – um resgate instigante e cheio de desafios.
Nesta mostra, Soalheiro apresenta a relação com a “azulejaria tipográfica” a partir do desenvolvimento de cores e tons, baseados nos minerais de Minas Gerais.
O trabalho é apresentado no Novo Uno, seja nas cores, nos tecidos ou nos acabamentos internos.
Para ilustrar a evolução do design de carros no Brasil, também será apresentada uma seleção de automóveis, desenvolvidos pelo Fiat Design Center LATAM – primeiro centro de design da Fiat fora da Itália -, sempre tendo como base a diversidade brasileira:
1- Fiat Novo UNO – A segunda geração do carro é um marco do design automotivo brasileiro. O projeto foi desenvolvido baseado em pesquisas, realizadas com uma grande variedade de usuários e potenciais usuários do Uno, antes do início das atividades de criação, para entender como o modelo, lançado no Brasil em 1984, poderia evoluir. As pesquisas revelaram que o consumidor enxergava o Uno como um ícone de robustez, longevidade e eficiência. Com base no material coletado, foi desenvolvido pelos designers, o conceito de round square, ou “quadrado arredondado”, baseado em formas geométricas retangulares, suavizadas por curvas em suas extremidades, que ajudaram a preservar a identidade visual do primeiro Uno. A dualidade entre as formas quadradas e as arredondadas deu ao projeto uma imagem ao mesmo tempo sólida e jovial e inovadora.
2- Fiat Mio – Primeiro veículo desenvolvido de forma colaborativa entre uma montadora e quase 18 mil colaboradores voluntários espalhados pelo mundo, o Mio é uma proposta de carro do futuro, cujas características foram sugeridas, discutidas e escolhidas pelo público, num diálogo aberto com os designers e engenheiros da Fiat do Brasil. Os participantes optaram pela criação de um automóvel para duas pessoas, de tamanho compacto, ideal para o trânsito, com motores elétricos, design configurável de acordo com as preferências do usuário e recursos avançados de comodidade e navegação. O Fiat Mio foi o primeiro carro colaborativo do mundo, baseado nas ideias e necessidades dos usuários. Na exposição, serão exibidos imagens do processo de criação e o making of, por meio de imagens e vídeos. Exposto no Salão do Automóvel de 2010, o protótipo do Mio ganhou destaque internacional e atualmente está em exibição em Turim, na Itália.
3- Uno Ecology – O Uno Ecology foi desenvolvido sob perspectiva ecologicamente sustentável, que procura limitar o uso de derivados do petróleo para reduzir o impacto ambiental. Por isso, seu motor é movido a etanol, seu teto solar possui células fotovoltaicas que captam a luz e a transformam em energia para os sistemas elétricos do carro e possui, ainda, uma película que reduz a incidência dos raios solares infravermelhos, para diminuir a temperatura do interior e, como consequência, reduzir a necessidade do uso do ar-condicionado. Toda a sua fabricação foi feita com material renovável ou biodegradável.
4- Novo Palio grafitado pelo Árvore da Vida – O Novo Palio é o lançamento da FIAT em 2012 e será exposto na mostra com fontes grafadas em intervenções via grafite. A ideia é representar a complexidade urbana e a “hora do Rush” com inspiração na arte. Este carro foi grafitado por artistas mineiros e jovens moradores do entorno da fábrica da Fiat, em Betim (MG). Entre os artistas que participaram dessa iniciativa estão jovens que aprenderam a arte da grafitagem em projetos apoiados pela Fiat Automóveis, no Jardim Teresópolis, em Betim (MG). Outros adolescentes da mesma região que hoje participam das demais atividades oferecidas pelo Programa Árvore da Vida – Jardim Teresópolis, também participaram dessa iniciativa, enriquecendo o seu universo cultural por meio das diversas referências trazidas pela arte do grafite. O Árvore da Vida integra a política de relacionamento da Fiat com a comunidade, que estrutura programas e orienta ações com foco no estímulo à autonomia do ser humano, na criação e fortalecimento de redes, e no empoderamento das comunidades para que se tornem protagonistas de suas próprias histórias.

Fonte: MDIC