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05/10/2012

BRASIL TEM O DESAFIO DE TRANSFORMAR PESQUISAS SOBRE TUBERCULOSE EM INOVAÇÃO

Rio de Janeiro - Sinal amarelo para avançar no combate à tuberculose no Brasil: nos últimos 15 anos, a produção de artigos científicos no país sobre a doença cresceu cerca de 12 vezes, bem acima da média mundial; no entanto, a capacidade inovadora brasileira se mostrou fraca: 45% dos 18 pedidos de patente de origem nacional sobre a enfermidade se perderam pelo caminho e, dentre aqueles que restaram, até o início de 2012, nenhum foi concedido. Isso foi o que revelou o estudo dos pesquisadores Alexandre Guimarães
Vasconcellos, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), e Carlos Medicis Morel, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na edição de outubro do Plos One, periódico científico global de acesso livre.
De acordo com os dados apresentados na pesquisa, a produção científica brasileira sobre a tuberculose, em termos de artigos publicados e estrutura de redes colaborativas, merece destaque: de 1995 a 2010, dos mais de 28 mil estudos publicados no mundo, 860 tem autoria brasileira, o que fez com que a participação do Brasil no número de artigos globais fosse ampliada de 1% para 5%. Somente no último ano, 139 trabalhos foram divulgados.
Em contrapartida, com a ausência de patentes, a fraca capacidade inovadora do país ficou evidente. Como agravante, o estudo também indicou que a maior parte dos pedidos de patentes no Brasil tiveram origem em universidades e instituições de pesquisa da região Sudeste, sendo a participação da indústria nacional de apenas 13% do total. Para os pesquisadores, esse resultado demonstra que a aproximação entre empresas e universidades é um desafio urgente para que a ciência nacional também beneficie a vida das pessoas, por meio de novos medicamentos e formas de diagnóstico.
“A falta de interesse do nosso setor industrial pelo patenteamento na área acende uma luz vermelha na capacidade do país em inovar, visto que não é adequado supor que a universidade sozinha consiga levar novos produtos ao mercado”, afirmam os pesquisadores.
“O desafio de inovação deve ser enfrentado pelas políticas públicas, na articulação com o complexo econômico-industrial da saúde”.
Nesse sentido, novas políticas públicas poderiam ampliar a infra-estrutura de inovação em saúde e a articulação entre governo, indústria e academia. “É preciso articular urgentemente as competências já existentes e criar projetos estruturantes com foco em inovação em saúde, a exemplo do que já está acontecendo na Fiocruz, a partir da construção do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia e Saúde (CDTS) e do Centro Integrado de Protótipos, Biofármacos e Reativos para Diagnóstico (CIPBR)”, apontam os pesquisadores.
Ambos os centros serão responsáveis por pesquisas e inovação, voltadas especialmente para doenças negligenciadas, em articulação com agentes públicos e privados.

Fonte: MDIC