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10/10/2012

DADOS DO COMÉRCIO EXTERIOR CHINÊS CONFIRMAM DESACELERAÇÃO ECONÔMICA

A China revelou nesta segunda-feira dados de seu comércio exterior que confirmam, depois dos da produção industrial divulgados na véspera, a desaceleração do crescimento econômico do gigante asiático.
O excedente comercial da China aumentou em agosto para 26,700 bilhões de dólares, contra 25,100 bilhões em julho, mas isso se deve em boa parte ao recuo das importações da segunda economia mundial.
As exportações totalizaram 178 bilhões de dólares, em alta interanual de 2,7%, e as importações somaram 151,3 bilhões de dólares, uma contração de 2,6% com relação a agosto de 2011, segundo as estatísticas chinesas.
Os analistas consultados pela agência financeira Dow Jones apostavam em um aumento de 3,4% das importações.
O superávit comercial de agosto foi mais forte que o de julho, quando se limitou a 1%, impulsionado por uma forte alta das exportações.
"O recuo dos preços das matérias-primas tiveram papel-chave" nesta diminuição do valor das importações de agosto, disse Lu Ting, economista do Bank of America-Merrill Lynch.
Os excedentes comerciais que registra a China ano após ano lhe permitiram acumular colossais reservas de câmbio, as maiores do mundo, que totalizavam no final de junho 3,24 trilhões de dólares.
Contudo, o comércio exterior se desacelerou consideravelmente este ano. Os exportadores padecem principalmente as dificuldades da Europa, seu maior mercado. E esta diminuição não foi compensada pela demanda interna, como queria o governo.
Nos oito primeiros meses do ano, a expansão do comércio exterior se limitou a 6,2%, segundo a China, com exportaciones e importações em alta respectivamente de 7,1% e 5,1%.
Em 2011, as exportações chinesas cresceram 20,3% e as importações 24,9%. O governo prevê um aumento do comércio exterior de 10% em 2012.
As exportações chinesas para a União Europeia (UE) apresentaram contração de 4,9% este ano durante o período janeiro-agosto e as importações provenientes da UE cresceram 3,1%.
As exportações para a Itália apresentaram contração de 26%, para França 8,6% e para a Alemanha 7,9%.
No plano interno, a produção industrial na China se desacelerou em agosto a seu nível mais baixo em mais de três anos, com um aumento de 8,9% interanual.
O dado é inferior aos 9,2% de julho e o pior desde que em maio de 2009 a produção aumentou também em 8,9%, em plena crise econômica mundial.
Os investimentos em capital fixo, um bom indicador do gasto público em infraestruturas, aumentaram em 20,2% nos primeiros oito meses de 2012 em comparação com o mesmo lapso do ano anterior, segundo a Oficina Nacional de Estatísticas.
O dado, no entanto, demonstra que os investimentos diminuíram em agosto, já que nos primeiros sete meses do ano o incremento foi de 20,4%.
Esta situação levou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e de Reforma, a agência de planejamento chinesa, a dar seu aval na semana passada a 55 projetos de infraestrutura, entre eles 25 linhas de metros, por um montante estimado em um bilhão de yuanes (158 bilhões de dólares, 123 bilhões de euros), para sustentar a atividade.
No segundo trimestre, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês esteve limitado a 7,6%, seu pior índice em três anos.
O governo fixou como objetivo alcançar um crescimento econômico de 7,5% em 2012.
No terceiro trimestre, o crescimento poderia cair a 7,4% ou um pouco menos, segundo Lu, que previa 7,7% de crescimento para todo 2012.

Fonte: AFP