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23/09/2013

EMPRESÁRIOS JAPONESES PRETENDEM INVESTIR MAIS NO BRASIL

Empresários japoneses e brasileiros se reuniram hoje, durante a 16ª Reunião do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, em Belo Horizonte-MG. Na abertura do evento, o representante do Keidanren, entidade empresarial japonesa, Masami Iijima, afirmou que, atualmente, 450 empresas japonesas investem no Brasil em projetos de infraestrutura, de produção de manufaturas e de serviços e que, diante de novas oportunidades, há potencial real para aumentar os aportes japoneses na economia brasileira.


Iijima avaliou que existe complementação entre as economias dos dois países com troca de recursos naturais e de tecnologia, e um ambiente de negócios favorável sem grandes tensões. Ele disse ainda que o setor privado japonês tem o interesse de estudar um acordo de livre comércio com o Brasil e o Mercosul para ampliar o intercâmbio comercial.


O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, considerou o desafio de intensificar e melhorar o fluxo comercial brasileiro para o Japão, hoje concentrado em produtos básicos. Sobre investimentos, Andrade disse que é preciso buscar inspiração no passado recente, em que o Japão colaborou para viabilizar a produção brasileira de soja e de produtos siderúrgicos.


Ele afirmou que, no presente, há duas áreas estratégicas para os investimentos: a de infraestrutura, para construção de obras de transporte e logística, que irão reduzir o custo de produção no Brasil; e de energia, com potencial de o Brasil se tornar um fornecedor importante e sustentável, diante da substituição da matriz energética nuclear que o Japão realiza.


Participou do encontro, representando o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que está em Nova Iorque para acompanhar a presidenta Dilma Rousseff na reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Daniel Godinho.


Sobre a possibilidade de um acordo comercial com o Japão, Godinho disse que a proposta é louvável e que é necessário construir um consenso no setor privado, no governo brasileiro e no âmbito do Mercosul para que se possa avançar sobre o tema. “Enquanto isso, podemos avançar também no mecanismo de diálogo bilateral, que já vem resolvendo diversas questões”, avaliou.


O secretário acrescentou que o governo trabalha ainda para a facilitação de comércio com o projeto de janela única, que trará benefícios no intercâmbio bilateral. “Atualmente, no Brasil, há 17 órgãos anuentes para as importações e 11 para as exportações com dificuldades de articulação. Este projeto visa trazer governança para integrar as ações destes órgãos e facilitar o acesso dos usuários e operadores de comércio exterior”, disse.       


Godinho mencionou avanços na agenda comercial entre os dois países, com a recente liberação para exportação de carne suína de frigoríficos de Santa Catarina, medida importante diante do fato de que o Japão é o maior importador mundial do produto. Ele, contudo, disse que espera a remoção de barreiras para a exportação de carne bovina e também de outros alimentos, que impedem vendas brasileiras ao mercado japonês.


Segundo análise apresentada pelo secretário aos empresários, há potencial para crescimento de vendas brasileiras ao Japão em diferentes setores, como de equipamentos de terraplanagem, autopeças, pneumáticos, cosméticos, calçados, roupas, ferramentas de construção civil, madeiras, etanol, carnes, café, suco de laranja, entre outros. “Precisamos incentivar as vendas destes setores e dar-lhes atenção, o que será feito por parte do governo”, concluiu.   Em apresentação de painel no evento, Godinho destacou que as exportações brasileiras para o Japão tiveram aumento de 8,2%, em 2013 (janeiro-agosto), retomando o ritmo de crescimento interrompido em 2012. No ano, o Japão é sexto parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio somando US$ 9,9 bilhões. Há superávit brasileiro na balança comercial em 2013 de US$ 573 milhões. Os investimentos japoneses apresentaram aumento nos últimos cinco anos, atingindo patamar acima dos US$ 1 bilhão a partir de 2008 e registrando recorde em 2011, com aportes de US$ 7,5 bilhões na economia brasileira.

Fonte: MDIC