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14/03/2012

DÓLAR OPERA EM LINHA COM O MERCADO EXTERNO E SOBE; BOLSA CAI

Bolsa inverte tendência e passa a cair com investidores realizando lucros.
O dólar comercial mantém a alta verificada desde início dos negócios, mas perdeu fôlego. Por volta das 16h10m, a moeda americana subia 0,61% cotada a R$ 1,8110 na venda e R$ 1,8090 na compra. O dólar opera em linha com o mercado externo, onde a moeda se valoriza frente a outras divisas. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta nesta quarta-feira, mas inverteu o sinal e passou a operar em queda. No mesmo horário, o índice caía 0,63% aos 67.961 pontos.
Operadores de mercado afirmam que os investidores aproveitam para realizar lucros na Bolsa brasileira, depois da forte alta de mais de 3% registrada nesta terça. As ações da Vale, por exemplo, caem mais de 2%, após terem subido 5,37% na terça.
Operadores de câmbio dizem que a alta do dólar é um fenômeno global, nesta quarta, atribuído à melhora da economia americana. Em comunicado divulgado nesta terça, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) vê melhoras significativas no mercado de trabalho. Segundo o Fed, há quedas notáveis da taxa de desemprego nos últimos meses.
No campo doméstico, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo usará diferentes medidas para conter a valorização do real. Na terça, o dólar fechou em queda de 0,28%, cotado a R$ 1,7980 na compra e a R$ 1,8000 na venda. A moeda americana acumula valorização de 5,97% no mês de março, até ontem.
- Somos partidários do câmbio flutuante, mas não podemos fazer papel de bobos e nos deixar levar pela manipulação cambial praticada nos países desenvolvidos - afirmou Mantega.
Na segunda-feira, o governo elevou o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos externos de 5 anos. O governo também já interveio diretamente no mercado de câmbio.
Na Europa, as principais Bolsas fecharam em alta nesta quarta-feira ainda repercutindo dados mais positivos da economia americana e o resultado positivo do teste de estresse dos bancos. O índice Ibex, da Bolsa de Madri, subiu 0,17%; o Dax, da Bolsa de Frankfurt, teve alta de 1,19%; o Cac, de Paris, ganhou 0,40% e o FTSE, da Bolsa de Londres, recuou 0,18%. As Bolsas americanas também operam em alta, mas perderam fôlego. O índice Dow Jones sobe 0,08% e o Nasdaq tem alta de 0,39%.
Nesta manhã, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, repetiu que a economia americana tem melhorado, mas ainda de forma lenta.
- Apesar de alguns sinais recentes de melhoria, a recuperação tem sido frustrantemente lenta - disse.
Nesta terça, o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve a taxa básica de juro do país entre zero e 0,25% ao ano.
Embora não tenha anunciado novos estímulos à economia, a informação de que o país segue crescendo, com melhora no mercado de trabalho, animou os investidores. O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York, por exemplo, fechou no maior nível desde o final de 2007. E a Nasdaq chegou ao maior nível desde novembro do ano 2000.
O Federal Reserve divulgou ainda o resultado do teste de estresse feito com bancos. Dos 19 bancos analisados, três foram reprovados no exercício: Citigroup, SunTrust e Ally Financial. O mercado avaliou o resultado como positivo.
- Com o fim das especulações sobre o rumo dos juros e principalmente, com o resultado do teste de estresse entre os bancos americanos, em que a maioria é capaze de sobreviver a um retorno da crise, o mercado de risco, ou seja, bolsas de valores, tendem a ser valorizar ainda mais - diz um operador.
Nesta quarta, o Departamento de Comércio divulgou que o déficit da conta de transações correntes dos EUA subiu para US$ 124,1 bilhões no quarto trimestre do ano passado, o nível mais alto em três anos. O montante representa 3,2% do PIB e ficou acima da previsão de US$ 115,0 bilhões. Também nos Estados Unidos foi divulgado que os preços dos bens importados subiram 0,4% em fevereiro, um pouco abaixo do que esperavam analistas ouvidos pela Dow Jones.


Zona do euro aprova liberação de recursos para a Grécia


Nesta quarta, os países da zona do euro aprovaram o segundo programa de ajuste da Grécia. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) foi autorizado a liberar 39,4 bilhões de euros, dividido em cinco parcelas.
Também, nesta quarta, foi divulgado que a produção industrial dos 17 países da zona do euro subiu em janeiro pela primeira vez desde outubro, segundo a Eurostat, agências europeia de estatísticas. A alta foi de 0,2% em comparação com dezembro. O mercado esperava uma alta de 0,5%. Na Alemanha a produção industrial subiu 1,5%, enquanto a Itália teve queda de 2,5% e a Finlândia registrou retração de 5,1%.
Na Itália, o Tesouro conseguiu vender a oferta integral de 6 bilhões de euros de dois bônus do governo, de três e sete anos. A demanda pelos papéis foi de 9 bilhões de euros.
Na Ásia, apesar deste cenário mais positivo, as principais Bolsas fecharam sem tendência definida. O índice Kospi, de Seul, recuou 0,15%. Na China, o Xangai Composto caiu 0,30%. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,59% e o índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong se valorizou 0,14%.

Fonte: O Globo.