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30/03/2012

BRASIL TEM QUE EQUILIBRAR COMBATE À INFLAÇÃO E DEFESA COMERCIAL

A secretária de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Tatiana Prazeres, disse ao GLOBO que é preciso "sintonia fina" na adoção de medidas de defesa comercial, uma das armas da equipe econômica para proteger a indústria. O desafio, na sua visão, é calibrar as necessidades da indústria, o desejo dos brasileiros por importados e os limites da economia, para não elevar a inflação.
- Esse é o desafio e nisso consiste a sintonia fina. Inflação é uma coisa que deve ser levada em conta. Fizemos um levantamento com as empresas que mais importam no Brasil e são as que mais exportam. Se você dificultar excessivamente as importações, você está necessariamente afetando as exportações brasileiras - disse Tatiana.
Ela diz que os três maiores importadores brasileiros responderam por 9% das exportações do país. Entre os cem maiores importadores no país, 98% são exportadores, respondendo por 36,12% das vendas ao exterior:
- A indústria quer que o Brasil seja mais firme na defesa comercial, com medidas mais fortes. E o resto do mundo diz: "Poxa, Brasil, vocês estão pisando na linha, estamos atentos".
Tatiana reforça que as medidas tomadas não devem ser encaradas pelos consumidores com risco de que a defesa comercial feche o país para os importados ou gere alta de preços:
- Evitar o desmantelamento da indústria brasileira em função dessas práticas (desleais) é fundamental para que a classe média brasileira siga consumindo.
O governo decidiu reforçar o quadro de técnicos na área com a realização de concurso para contratação de 157 analistas de comércio exterior. O edital acaba de ser lançado. O novo contingente de especialistas deverá trazer mais musculatura e maior profissionalização para a defesa comercial brasileira, prevê a secretária, que ingressou no MDIC como analista de comércio exterior por concurso. As novas vagas superam o total atual de postos, de 108 servidores.
Com o aumento do quadro de servidores, a expectativa é atender à meta definida no ano passado pelo programa Brasil Maior, reduzindo de 15 para dez meses os processos de análise para aplicação de medidas de defesa comercial, e passar de 240 para 120 dias a aplicação de direitos provisórios:
- Hoje o departamento de defesa comercial trabalha a partir de demanda do setor privado. A ideia é que possamos cada vez mais atuar a partir de inteligência gerada dentro do governo.

Fonte: Agência O Globo.