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09/05/2012

IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÕES VÃO DESACELERAR EM 2012, AFIRMA ECONOMISTA DO IPEA

Especialista mostra dados que comprovam dificuldades que o comércio exterior ainda enfrentará até o final do ano.
O economista Fernando Ribeiro, membro do grupo de análise e previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresentou na manhã desta terça-feira (08/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o estudo Atualidade e Desafios do Comércio Exterior Brasileiro, durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex).
No debate mediado pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, Ribeiro mostrou os dados que comprovam um panorama de dificuldades para o comércio exterior ao longo deste ano.
“Até abril, tivemos queda de 1/3 do saldo comercial, e ainda teremos também uma desaceleração simultânea de exportações e importações”, apontou Ribeiro, que, no entanto, destacou um dado positivo - o crescimento do volume de exportações frente ao de importações. "O quantum exportado cresceu mais rápido do que o importado: uma alta de 5,5% na exportação contra 3% na importação. E isso não ocorria desde 2005”.
Para o economista do IPEA, outro ponto importante que explica o momento complicado é a falta de estrutura nacional. Este seria o motivo que acarreta gastos maiores e que não acompanham a produção. A exportação de manufaturados, assinalou Ribeiro, apresenta baixo dinamismo desde 2006, quando houve algum crescimento mais significativo. Desde então, o volume tem sido de 3% a 4% ao ano.
“[O crescimento] caiu bastante em 2009, melhorou um pouco, mas ainda está ruim”, analisou o economista, explicando que os custos de produção do setor são afetados por fatores já bastante conhecidos pelo brasileiro – “e jamais resolvidos”–, como valorização do câmbio, aumento real de salário acima da produtividade e os problemas de infraestrutura.
Para comparar, Ribeiro citou o crescimento da China no cenário internacional e ressaltou que o método é conhecido pelo Brasil, apenas não mais aplicado. “O que a China faz hoje a respeito de política industrial é o que fazíamos tempos atrás. Eles fazem o certo e normal. Nós é que paramos no tempo. A questão industrial atrapalha muito. É preciso atacar esse lado que dificulta o Brasil de avançar”, completou.
Finalizando, o economista mencionou o problema dos impostos cobrados no Brasil como entrave para o crescimento e progresso, além de dificultar o comércio nacional e internacional. “A estrutura de impostos dificulta muito a produção. A reforma tributária é um pântano, e o governo quer apenas arrecadar. No ponto de vista privado, a prioridade é ter uma estrutura mais leve e menos extorsiva. Do lado do governo, o incentivo é um só: arrecadação. E ele não se importa se depois for questionado”, concluiu. 

Fonte: Agência Indusnet Fiesp.