With Borders

No Borders

26/05/2012

DÓLAR NA FAIXA DE R$ 2,00 PODE SER BENÉFICO PARA EXPORTAÇÕES

A cotação do dólar frente ao real observada ao longo do mês de maio ultrapassou a barreira dos R$ 2, o que exigiu que o Banco Central voltasse a atuar no mercado para conter a alta. O mercado agora tenta entender os efeitos dessa valorização sobre a produtividade e a competitividade da nossa economia. Especialistas apontam que a cotação ideal da moeda americana deveria ficar entre R$ 1,90 e R$ 2 – ao mesmo tempo em que este patamar melhoraria as condições de oferta dos produtos nacionais no mercado internacional, não seria alto o suficiente para gerar inflação.
Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, aponta que, caso a cotação do dólar aumente ainda mais, o governo federal terá dificuldades em baixar as taxas de juros e, consequentemente, aumentar o dinamismo da economia brasileira. “A alta no câmbio dificultaria a política adotada este ano pelo governo federal de baixar as taxas básicas de juros”, revela. No ano, o dólar valorizou 9,1% sobre o registrado no final de 2011. Em maio, a alta acumulada é de 6,9%.
Segundo o presidente do Banco Central (Bacen), Alexandre Tombini, o Brasil dispõe de instrumentos para que o mercado de câmbio opere “dentro da normalidade”. Ele acredita que é preciso esperar em qual patamar a moeda vai se estabilizar para definir o efeito na inflação. “Nosso câmbio é flutuante e, como primeira defesa contra choques externos, ele flutua”, disse Tombini. Com a alta do dólar, o Bacen voltou a fazer operações de swap cambial tradicional (que equivale à venda de dólares no mercado futuro). Na quarta-feira, foram feitos leilões com duas datas de vencimento (2 de julho e 1º de agosto), na qual foi vendido US$ 1,3 bilhão em 26,4 mil contratos. O Banco Central fez também dois leilões de swap cambial tradicional para anular contratos de swap reverso (que equivalem à compra de dólares no mercado futuro).
O dólar subiu recentemente no mundo todo. Com a atual corrida presidencial na Grécia, aumentou o medo de o país sair da Zona do Euro, o que pode desvalorizar a moeda europeia e resultar em uma forte queda na atividade econômica mundial. “A valorização recente é generalizada”, disse Tombini em evento realizado na segunda-feira pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. “Acumulamos munição para enfrentar a situação que estamos vendo hoje”, completou.
Alcides Leite diz que a alta do dólar foi influenciada também pela resistência do governo alemão à adoção dos chamados eurobônus – um título emitido e garantido por todos os países da União Europeia, com o objetivo de derrubar os juros, que hoje asfixiam nações altamente endividadas, como Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha. Os eurobônus ajudariam estes países em dificuldades a pagar os títulos da dívida externa. Críticos, no entanto, dizem que os títulos seriam uma forma de premiar a gastança desenfreada destes países – o que gerou a crise em primeiro lugar.

Fonte: Revista Comex.