With Borders

No Borders

26/05/2012

EM MAIO, AS CONTAS EXTERNAS SE DETERIORARAM

O governo teve sucesso com as medidas de desvalorização do real ante o dólar. Agora se pergunta se elas não foram exageradas. Pelo menos, é o caso de verificar como a nova política cambial poderá afetar as contas externas. O mês de abril pode ter sido o último em que o País contou com uma situação externa excepcionalmente boa.
De fato, a balança comercial apresentou, em abril, um saldo positivo de US$ 892 bilhões, 52% inferior ao do mesmo mês de 2011, por causa da queda das exportações, enquanto as importações aumentaram ligeiramente. As perspectivas para o comércio exterior não são muito favoráveis, levando em conta a situação da China, cliente importante para o Brasil. A conta de serviços acusa um déficit sensivelmente igual ao do ano passado, embora a perspectiva para o futuro seja melhor com a taxa cambial que torna mais caras as viagens para o exterior. As remessas de lucros e dividendos aumentaram com a crise internacional, que levou as empresas multinacionais a ampliarem suas remessas para as matrizes. Mas a queda de atividades no Brasil e o custo da operação em real poderão se traduzir numa contenção dessas saídas.
A questão é como evoluirá a conta financeira, que até agora permitiu cobrir largamente o déficit de transações correntes, de US$ 5,4 bilhões em abril - a conta financeira teve superávit de US$ 12 bilhões.
Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) têm grande importância, pois, além de contribuir para o crescimento da economia, também permitem cobrir parte importante do déficit das transações correntes: em abril, somaram US$ 4,6 bilhões, um montante inferior ao valor médio mensal dos 12 últimos meses (US$ 5,3 bilhões). Em maio, até o dia 22, entraram apenas US$ 2,1 bilhões, mostrando uma nítida tendência de queda. Os investimentos em ações acusaram saída de US$ 683 milhões em abril; em maio, até o dia 22, a saída foi de US$ 1,746 milhão.
Os empréstimos e papéis apresentaram saldo de US$ 5,5 bilhões. Para o mês de maio, até o dia 22, a rolagem da dívida externa foi de 93%, sugerindo dificuldades para conseguir ajuda externa, numa conjuntura internacional que se agrava a cada dia.
As reservas internacionais do País permitem considerar os próximos meses sem problemas. Mas, com uma dívida externa de US$ 297 bilhões, essas reservas não sustentariam as contas externas por mais de um ano, especialmente se o capital estrangeiro sai do Brasil. A esperança é que o clima internacional possa melhorar nos próximos meses.

Fonte: Estadão.