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04/06/2012

ALTA DO DÓLAR FAVORECE INDÚSTRIA

A valorização do dólar frente ao real - quase 20% desde março - era o que os empresários brasileiros do setor industrial ansiavam, para ajudar a ampliar a competitividade do produto nacional frente aos importados e também para melhorar a rentabilidade nas vendas no Exterior.
A avaliação é positiva, embora os benefícios para as empresas não devam ser imediatos. Espera-se em torno de três meses para que a taxa cambial, hoje na casa dos R$ 2, se traduza, por exemplo, em substituição da compras de insumos e componentes que eram adquiridos em outro país - que se encareceram -, por encomendas a fornecedores locais.
Segundo o economista Rogério de Souza, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), no curto prazo, as indústrias têm de se reprogramar, na fixação de preços de venda de produtos lá fora ou na compra de equipamentos importados. Ele acrescenta que é necessária atenção com a variação da taxa. "É preciso algum cuidado com desvalorizações muito fortes (do real), que atrapalham o planejamento. O Banco Central deve conter grandes oscilações", afirma.
E o momento não ajuda muito os exportadores. Não adianta as condições de competitividade melhorarem se o mercado externo, com a crise européia, piorou, observa Wiliam Pesinato, vice-diretor da regional do Ciesp (Central das Indústrias do Estado de São Paulo) em São Caetano.
Com isso, não é possível prever avanço significativo nas encomendas ao Exterior. "O efeito principal deve ser no mercado interno, na concorrência com os importados", afirma Souza.
Nas vendas domésticas (dentro do País), as empresas devem ganhar competitividade, apesar de ainda haver outros problemas, como a elevada carga tributária, deficiências de infraestrutura e os juros, ainda muito altos, assinala o empresário Roberto Barth, que integra a CDIB (Comissão de Defesa da Indústria Brasileira). 
Taxa ainda não atingiu patamar ideal, dizem analistas.
A valorização do dólar ainda é considerada insuficiente para a competitividade da indústria nacional, segundo especialistas. O ideal seria que chegasse a R$ 2,20, avalia o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) José Augusto de Castro. Por sua vez, o empresário Roberto Barth, integrante da CDIB (Comissão de Defesa da Indústria Brasileira) estima que a taxa de equilíbrio seria R$ 2,49, levando em conta atualizações da moeda nos últimos 15 anos e ganhos de produtividade.
Outra questão polêmica, que gera divergências, é em relação à continuidade do ritmo de apreciação do dólar frente ao real. Apesar da avaliação de que essa trajetória da taxa neste ano tem relação com os efeitos da crise europeia - que gerou fuga de capitais do País - Barth considera que "a subida (da moeda norte-americana) ainda não terminou".
Castro tem visão diferente. "Não há previsão de que se sustente", diz. Para ele, as empresas preferem trabalhar com o câmbio a R$ 1,90 e não nos R$ 2,03 atuais, para não correrem risco com eventual valorização do real.

Fonte: Diário do Grande ABC.