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04/06/2012

SETORES DE BOLSAS E DE COMPONENTES PARA CALÇADOS SE MOBILIZAM PARA BARRAR AUMENTO DAS IMPORTAÇÕES

A apresentação de números sobre a diferença nos custos de produção Brasil/China e o ingresso voraz de bolsas, vindas principalmente de países asiáticos, convenceram empresários e representantes de sindicatos da cadeia calçadista de que é necessária a adoção de medidas para combater práticas desleais de comércio e incrementar a competitividades da indústria brasileira. O encontro foi ndia 30, durante o SICC (Salão Internacional do Couro e Calçado), em Gramado. “Conforme depoimentos dos empresários durante a reunião, a avalanche de importados já conseguiu reduzir drasticamente a capacidade de produção e o volume de empregos a percentuais superiores a 50%”, contou Rafael Dilkin, vice-presidente de Mercado Interno da Assintecal (Associação das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos).
Segundo Dilkin, a reunião no SICC, conduzida também pela Abiacav (Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Artigos de Viagem), foi mais um reforço para chamar a atenção para este problema, que impacta em toda a cadeia. “O encontro ainda não é decisivo, mas conseguimos instigar os empresários que o encaminhamento de um processo de antidumping seria uma possibilidade real”, afirmou. Mas como a ideia é a de chegar a um consenso nacional, as entidades vão dar prosseguimento a reuniões regionais para sensibilizar mais empresários e garantir uma decisão unânime de toda a cadeia. “Até a Francal (acontece de 26 a 29 de junho, em São Paulo) teremos um posicionamento sobre quais caminhos serão percorridos”, assegurou. Entre eles o início de um estudo mais técnico para pedir o direito antidumping junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
O diretor-executivo da Abiacav, Mário Frassati, lembrou que as duas entidades têm se reunido com sindicatos representantes do segmento para um esforço mútuo rumo às soluções para o setor, a exemplo da sobretaxa de US$ 13,85 aplicada a cada par de calcado chinês que entra no Brasil. “O setor brasileiro de bolsas vive uma situação insuportável, por isso da importância do engajamento do empresariado do segmento de bolsas e de insumos na definição de ações e iniciativas concretas.” Segundo ele, a reunião no SICC foi muito produtiva e agora os sindicatos assumem também a responsabilidade de disseminar as informações repassadas no encontro desta quarta-feira. O encontro em Gramado foi o segundo para tratar deste assunto, sendo que o primeiro foi em Belo Horizonte e o próximo vai ser na Francal. “Ou seja, estamos pegando os três principais polos de produção de bolsas: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Precisamos do comprometimento das empresas, já que este é um processo burocrático”, adiantou Frassati.
Em números – Levantamento feito pela Assintecal mostra que as importações de bolsas da China estão aumentando ano a ano. Por exemplo, dos US$ 101,24 milhões de bolsas de folha de plástico (55,51 milhões de peças), também chamada sintético, adquiridos no exterior em 2011, o país respondeu por 84% das vendas.
Só no ano passado, a China comercializou US$ 84,90 milhões, 43,67% sobre 2010 (US$ 59,09 milhões), a um preço médio de US$ 1,66. Foram enviadas para o Brasil 51,17 milhões de peças, 24,38% a mais que em 2010, quando foram registradas 41,14 milhões de peças. Se comparado 2011 com 2006, ano usado como base inicial do estudo, o aumento é alarmante: 959%.
Já os fabricantes brasileiros deste produto somaram US$ 857,75 mil em receita com suas exportações globais em 2011 e US$ 1,14 milhão em 2010.
Evolução nos embarques também registrada nas bolsas feitas de matérias têxteis: as importações saltaram 11,51%, passando de US$ 39,69 milhões em 2010 para US$ 44,26 milhões em 2011, quando foram compradas 24,97 milhões de peças (a um preço médio de US$ 1,77) de um total de 28,55 milhões adquiridos na soma dos países. Neste item, a China respondeu por 76%. Este mesmo produto (NCM) é vendido pela Itália a um preço médio de US$ 240,87.
Atuação com Abicalçados – A Assintecal defende um efetivo combate à concorrência predatória das importações. Tanto que a entidade também participa junto com a Abicalçados da solicitação de extensão da medida antidumping para partes de calçados vindos da China. O comportamento da Balança Comercial do setor levantam indícios de que a importação de componentes da China registra um incremento diretamente relacionado com a tentativa de frustrar a medida de antidumping imposta ao calçados.

Fonte: Assessoria de Imprensa Assintecal.