With Borders

No Borders

13/06/2012

DÓLAR A R$ 2 NÃO ATINGIU AINDA TAXA DE EQUILÍBRIO PARA AS EXPORTAÇÕES

Para a AEB, a taxa de câmbio de equilíbrio para a exportação seria R$ 2,20...


RIO DE JANEIRO - O patamar atual do dólar, em torno de R$ 2 foi considerado “virtual” pelo presidente interino da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ao participar nesta segunda-feira (14) da abertura do 24º Fórum Nacional, no Rio de Janeiro, Castro apontou que o câmbio ideal para o comércio exterior brasileiro é R$ 2,20. “Nós não sabemos que se ele vai se transformar em um dólar real. Porque ele está nessa faixa em função da crise na Grécia, na Europa. Mas, de qualquer jeito, é um avanço”.
Para a AEB, a taxa de câmbio de equilíbrio para a exportação seria R$ 2,20. Com essa taxa, muitos importadores passariam a importar apenas pela necessidade, explicou Castro. “Haveria um equilíbrio na balança comercial, estimulando as exportações de manufaturados e não desestimulando as importações necessárias ao país”.
Produtos manufaturados em que o Brasil sempre foi competitivo, como calçados, confecções, autopeças, máquinas e equipamentos, poderão vir a se beneficiar da taxa mais alta do dólar. O presidente da AEB deixou claro, entretanto, que a taxa do dólar só terá reflexos sobre os manufaturados “porque as commodities [produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior], qualquer que seja a taxa de câmbio, vão continuar sendo exportadas normalmente”.
A manutenção do dólar na atual faixa vai depender, porém, do setor externo. Castro disse que a valorização pode servir para as exportações brasileiras recuperarem o mercado americano comprador. “É o mercado que mais cresce hoje no mundo”, observou. “Seria uma oportunidade para o Brasil voltar a ocupar espaço que nós perdemos nos últimos dez anos. Foram cerca de dez pontos percentuais [perdidos]”, destacou. Vinte e cinco por cento das exportações do Brasil eram destinadas aos Estados Unidos e hoje são apenas 10%.
Ele assegurou que a recuperação gradual do dólar ainda não foi sentida nas exportações. Apenas as empresas passaram a avaliar oportunidades, “mas sempre avaliando em que patamar o dólar vai estabilizar”. Admitiu, contudo, que a expectativa não é que o dólar suba até R$ 2,20, patamar considerado ideal, mas que recue para algo em torno de R$ 1,80 a R$ 1,85, “quando a situação se acalmar. Mas já é um alento. Há muito tempo nós não chegamos a esse patamar perto de R$ 2”.
Castro confirmou que não é só o câmbio que trava a competitividade das empresas brasileiras. “É um dos componentes”, ressaltou. Se o Brasil tivesse hoje uma boa infraestrutura, carga tributária menor e menos burocracia, ou seja, uma logística adequada, “ninguém estaria discutindo taxa de câmbio. A taxa de R$ 1,80 seria ótima. Com o cenário atual de infraestrutura deficiente e insuficiente, a taxa de câmbio é ruim”, completou.
O presidente da AEB avaliou que a cada ano o problema se agrava, porque os investimentos não são feitos na proporção devida. Indicou que hoje, com o sistema frágil, o câmbio ganha um papel relevante. “Hoje, só depende do câmbio para você tornar as exportações mais, ou menos competitivas”.
Castro acredita que os balanços das empresas já devem refletir a valorização cambial. Explicou que como o Brasil exporta atualmente 71% de commodities, os balanços estão vinculados a esses produtos que se acham em queda no mercado internacional, e devem refletir a retração dessas cotações.

Fonte: Agência Brasil.