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18/06/2012

ATIVIDADE FRACA REDUZ APOSTA PARA ALTA DO PIB EM 2012, DIZ ECONOMISTA

SÃO PAULO  - Os primeiros números relativos ao segundo trimestre mostram sinais de uma economia ainda fraca e com dificuldades de recuperação, motivo que levou os analistas de mercado a revisar para baixo pela sexta semana consecutiva suas estimativas para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. A avaliação é do economista Thiago Carlos, da Link Investimentos, para quem o atual cenário também cria dúvidas sobre 2013.
Divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, o boletim semanal Focus mostra que a mediana para as projeções para o PIB recuou de 2,53% para 2,3% em 2012. Para o próximo ano, o ajuste foi menor, de 4,3% para 4,25%.
“A retomada da atividade está cada vez mais sendo adiada. É natural criar dúvidas em relação ao crescimento em 2013, já que a economia não está se recuperando conforme o esperado e há uma deterioração do cenário externo, não só na Europa, mas também com dados mais fracos de atividade nos EUA e até mesmo na China”, diz Carlos.
A Link cortou de 2,9% para 2% sua projeção para o aumento do PIB este ano após o resultado do primeiro trimestre, período em que a economia ficou praticamente estagnada, com alta de apenas 0,2% sobre o trimestre anterior, feito o ajuste sazonal. Para 2013, Carlos mantém sua previsão de 4,5%, porém com viés de baixa.
Segundo Carlos, não é só a produção industrial que decepcionou em abril ao cair 0,2%, mas também as vendas do varejo, que cresceram menos que o previsto. “Não estamos tendo um consumo tão forte como imaginávamos. Isso joga para frente perspectivas de recuperação”.
O volume de vendas no varejo restrito cresceu 0,8% em abril na comparação com março, abaixo da média de 1,6% estimada pelo Valor Data, apurada junto a 11 instituições.


Selic e IPCA


O pessimismo com a evolução da economia, por outro lado, torna ainda mais tranquilo o cenário inflacionário e deixa o Banco Central mais à vontade para cortar os juros. Segundo o Focus, a mediana das expectativas para a Selic ao fim de 2012 passou de 8% para 7,5%. Para 2013, as apostas foram mantidas em 9% ao ano.
O economista da Link acredita que o cenário mais provável é que o Copom faça mais duas reduções de meio ponto percentual na Selic este ano, levando a taxa à mesma projeção apontada pelo Focus.
Em 2013, o analista ainda sustenta que o BC terá de inverter a mão da política monetária e voltar a subir os juros, mas ressalta que esse ajuste, na visão do mercado, está ficando cada vez menor. “As estimativas para a Selic em 2013 também vêm diminuindo. A tendência é que esse ajuste possa ser prorrogado para o segundo semestre do ano que vem”, diz.
Com atividade mais fraca, a inflação deve subir menos que o antecipado no próximo ano, segundo os analistas consultados pelo Focus, que revisaram de 5,60% para 5,54% suas estimativas para a alta do IPCA em 2013.
As apostas para a inflação em 2012 foram revistas de 5,03% para 5%. Para Carlos, esse movimento reflete ajustes após a redução do IPI para automóveis. Ele calcula que, se estendido até o fim do ano, o incentivo fiscal deve tirar entre 0,2 e 0,3 ponto percentual do IPCA.

Fonte: Valor Econômico.