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25/06/2012

EXPORTAÇÃO CAI PARA O MERCOSUL, MAS CRESCE PARA OS EUA

O barulho maior vem da Europa, mas os dados mostram que os problemas mais relevantes para o Brasil no comércio exterior estão no Mercosul. Neste ano, as vendas para o bloco sul-americano estão caindo em ritmo mais forte do que as exportações para a União Europeia.
De janeiro a maio, o Brasil vendeu para Argentina, Paraguai e Uruguai 10,3% menos que no mesmo período de 2011. É o pior resultado entre os quatro principais destinos das exportações.
O bloco europeu, em grave crise, cortou as compras do Brasil em 5,1% no período.
O aumento da demanda de China e Estados Unidos estão compensando a queda das exportações para os dois blocos. O que mais surpreende é a forte recuperação das vendas para os EUA, que crescem 27,5% em 2012.
A queda no Mercosul é especialmente preocupante, pois a região é a principal importadora de industrializados do Brasil. No ano passado, os três países consumiram US$ 25 bilhões em manufaturas brasileiras, 27% do total exportado por nós.
Neste ano, até maio, a total venda de manufaturados do Brasil sobe 5,2%, mas recua 9,5% para o Mercosul.
Além da desaceleração econômica do bloco, as vendas para o Mercosul caem, principalmente, por causa do aumento das barreiras comerciais na Argentina.
Em meio à crise europeia e ao esfriamento da demanda doméstica, é mais um fator que puxa nosso crescimento brasileiro para baixo. A aposta mediana do mercado é que o Brasil cresça 2,3% em 2012.


A indústria, que desde 2011 tem desempenho pífio, é o setor mais prejudicado, já que 90% do que o Mercosul compra de nós é manufatura.
"O protecionismo argentino se intensificou e a economia do país está muito fragilizada. As exportações vão cair ainda mais neste ano", diz Roberto Giannetti, diretor de comércio exterior da Fiesp.


RETOMADA AMERICANA


O forte aumento das vendas para os EUA em 2012 é puxado pela alta de 70% na exportação de petróleo, mas também houve crescimento expressivo em itens como laminados, aviões, carros e transformadores.
Segundo José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil, o país foi beneficiado pela decisão política dos EUA de diversificar seus fornecedores de petróleo. O item já representa mais de um quarto da demanda americana por produtos brasileiros.
Para Gabriel Rico, presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA, a alta também reflete uma recomposição dos estoques das empresas americanas, devido à retomada da economia do país.
Passado esse efeito, diz ele, o crescimento das vendas para os EUA tendem a perder fôlego. "A economia está se recuperando, mas é gradual."
A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, diz que esse é um ano difícil por causa da crise externa. Até maio, o total das nossas exportações sobe apenas 3,4%, e a expectativa não é de melhora. Em 2011, o crescimento total foi de 27% ante 2010.
"Se conseguirmos crescer 3% em 2012, ou mesmo manter o valor exportado no ano passado, já será um resultado bastante positivo", diz ela.

Fonte: Folha de São Paulo.