With Borders

No Borders

26/06/2012

CHINA E BRASIL HARMONIZAM ESTATÍSTICAS DE COMERCIO EXTERIOR

As contas entre o Brasil e a China não estão batendo. Um exemplo do problema: o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (MDIC) informa que em 2011 o Brasil contabilizou vendas de US$ 30,8 bilhões para a China e um valor de US$ 25,6 bilhões em compras, com registro de superávit de US$ 5,2 bilhões. No entanto, pela contabilidade chinesa, as exportações brasileiras para o país asiático foram de US$ 38 bilhões no período, e as compras brasileiras da China, de US$ 24,5 bilhões – o que resultaria num superávit de US$ 13,5 bilhões. Essas discrepâncias nas estatísticas de exportação e importação fizeram os governos da China e do Brasil produzir o Relatório de Divergências Estatísticas do Comercio Bilateral de Mercadorias, lançado na última sexta-feira no Rio de Janeiro. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o ministro do Comércio da China, Chen Deming, assinaram o Relatório durante o encontro da presidente Dilma Rousseff com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, no Rio. O Relatório foi feito por um grupo de harmonização estatística, com representantes dos governos dos dois países, que identificou as causas das divergências entre os números do comércio exterior bilateral. Essas diferenças se devem principalmente a duas causas, aponta o relatório. Primeiro, ao fato de os chineses contabilizarem o comércio incluindo custos de frete e seguro; o Brasil não considera essas despesas. Segundo, o fato de haver comércio indireto, quando mercadorias produzidas na China são vendidas para outro país que, por sua vez, as vende para o Brasil (a chamada triangulação). Neste caso, enquanto a contabilidade brasileira registra a origem chinesa, a China registra como destino o país ao qual vendeu o produto. De acordo com o MDIC, o relatório servirá de base para futuras análises, mas Brasil e China continuarão a elaborar as suas estatísticas sem alterações. Somente nas análises bilaterais é que deverão ser consideradas as causas identificadas.
Segundo o MDIC, compreender as diferenças nos dados vai facilitar os futuros diálogos e negociações comerciais. Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, avalia que é importante que relatórios neste formato sejam elaborados. “A transparência de informação é fundamental para evitar problemas de relacionamento comercial”, frisa. Segundo ele, o comércio bilateral também enfrenta muitos problemas no campo de categorização de produtos, pois muitos países classificam suas mercadorias de maneira muito própria. “Antigamente cada nação procurava categorizar a produção da sua própria maneira, mas a Organização Mundial do Comércio (OMC) estabeleceu um mecanismo para harmonizar esses critérios. Enquanto o Brasil utiliza integralmente a classificação de bens estabelecida pela OMC, a China não a adotou totalmente”, explica.
Sobre a questão da identificação da prática chinesa de triangulação comercial, o especialista diz que o País tem que procurar a OMC ou então fazer um esforço para chegar um acordo com a China sobre o assunto. “É importante que esse tipo de acordo seja feito no âmbito da OMC, para ter mais transparência e respaldo em nível internacional”, conclui.

Fonte: Revista Comex BB.