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29/06/2012

SUPERÁVIT DAS COOPERATIVAS VAI A US$ 2,2 BILHÕES EM 2012

De janeiro a maio deste ano, as exportações das cooperativas brasileiras somaram US$ 2,3 bilhões, alta de 7,9% sobre os cinco primeiros meses de 2011. No período, as importações registraram crescimento de 2,5%, para US$ 85,8 milhões. Com os resultados, a balança comercial registrou saldo de US$ 2,2 bilhões, com aumento de 8,1% em relação ao mesmo período de 2011. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) foi de US$ 2,4 bilhões, resultado 7,7% maior sobre os primeiros cinco meses do ano anterior. O dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A qualidade dos produtos dessas entidades e alta do preço das commodities no mercado internacional são os principais motivos do resultado positivo, apontam especialistas. As cooperativas nacionais exportaram para 124 países de janeiro a maio deste ano. Os produtos mais vendidos, em valor, no período, foram: açúcar em bruto (com vendas de US$ 323,6 milhões, representando 13,9% do total exportado pelas cooperativas); soja em grãos (US$ 313,6 milhões, 13,4%); café em grãos (US$ 284 milhões, 12,2%); carne de frango (US$ 245,3 milhões, 10,5%); e açúcar refinado (US$ 243,6 milhões, 10,4%). Já os principais mercados foram China (vendas de US$ 359,2 milhões, representando 15,4% do total); Estados Unidos (US$ 195,1 milhões, 8,4%), Alemanha (US$ 168 milhões, 7,2%), Argélia (US$ 128 milhões, 5,5%) e Países Baixos (US$ 125,2 milhões, 5,4%).
“O resultado positivo da balança das cooperativas tem dois motivos principais: preço alto e reconhecimento internacional da qualidade dos produtos”, diz Marco Olívio Morato de Oliveira, analista de mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). “O preço das commodities, principalmente do café e da soja, está alto por causa do aumento da demanda mundial de alimentos. A crise econômica leva as pessoas a cortarem muita coisa, mas produtos alimentícios não são supérfluos. E, naturalmente, alimento com qualidade e preço competitivo acaba ganhando participação no mercado internacional”, explica.
“O fato de ser um produto de cooperativa tem diferencial mercadológico, por causa do momento de crise na Europa. O cooperativismo é uma maneira mais robusta do capitalismo, pois não visa basicamente o lucro, mas remunerar melhor seus cooperados. É um sistema em que todo o cooperado é dono da cooperativa. A Alemanha, a economia mais forte da União Europeia, tem uma base muito forte no cooperativismo”, aponta. As cooperativas alemãs, inclusive, têm diversas parcerias informais com as brasileiras em vários campos, afirma Morato. Ele diz que os grupos dos dois países frequentemente fazem intercâmbio em feiras e eventos para trocar informações e mostrar produtos.
O MDIC revela que nos cinco primeiros meses de 2012 as cooperativas realizaram compras de 37 países. Os produtos mais adquiridos pelo setor foram ureia (com compras de US$ 9,8 milhões, representando 11,5% do total importado pelas cooperativas), cloretos de potássio (US$ 8,8 milhões, 10,2%), máquinas e aparelhos para preparação de carnes (US$ 6,9 milhões, 8%), soja em grãos (US$ 5,4 milhões, 6,2%) e feijões em grãos (US$ 4,3 milhões, 5%). “Como importa praticamente insumos agrícolas, é praticamente impossível o Brasil registrar déficit na balança comercial das cooperativas, pois se as exportações caírem, caem as importações”, revela. As principais origens foram: Paraguai (compras de US$ 11 milhões, representando 12,8% do total), Estados Unidos (US$ 9,8 milhões, 11,4%), Japão (US$ 7,9 milhões, 9,2%); China (US$ 7,2 milhões, 8,4%) e Israel (US$ 4,6 milhões, 5,4%).
O Paraná foi o estado com maior valor de exportações de cooperativas, com US$ 780,6 milhões, representando 33,5% do total das exportações do segmento. Em seguida aparecem São Paulo (US$ 647,6 milhões, 27,8%), Minas Gerais (US$ 297,9 milhões, 12,8%), Rio Grande do Sul (US$ 166,1 milhões, 7,1%) e Santa Catarina (US$ 155,1 milhões, 6,7%). “Com o início da colheita da safra do complexo sucroalcooleiro, São Paulo deve ganhar participação no valor das exportações das cooperativas nacionais”, avalia o analista. Para 2012, Morato acredita que a receita das vendas externas dos grupos brasileiros cresça entre 12% e 17% sobre o ano anterior, se a crise econômica mundial não se agravar.

Fonte: Banco do Brasil.