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04/07/2012

COM DÓLAR ALTO, BRASIL PODE PASSAR A EXPORTAR ELETRÔNICOS

A recente valorização do dólar frente ao real poderá fazer com que o Brasil passe de importador a exportador de componentes eletroeletrônicos. Essa é a avaliação de Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O executivo acredita que, caso o dólar se mantenha no mesmo patamar atual a médio prazo (entre R$ 2 e R$ 2,20), as empresas brasileiras poderão não só passar a fabricar produtos que hoje importam – como também, a partir do aumento da competitividade da produção nacional, poder exportá-los.
De acordo com Barbato, o setor eletroeletrônico fechou a balança com déficit de quase US$ 32 bilhões em 2011 (crescimento de 18% em relação a 2010), resultado de importações de cerca de US$ 40 bilhões e exportações que não chegaram aos US$ 8 bilhões. “Tenho destacado, e não é de agora, que o alto volume de importações é composto, também, por bens finais, que representam hoje mais de 21% do faturamento total do setor. Em 2005, a participação era de 15%. Isso evidencia a dificuldade de competirmos no nosso próprio mercado. Por outro lado, a participação das exportações no faturamento tem caído de forma preocupante. Em 2005, o índice estava na casa dos 20%. Hoje, não conseguimos chegar aos 10%”, revela.
“A luta contra produtos fabricados fora do Brasil tem sido inglória. Nossas empresas dificilmente conseguem vencer os preços distorcidos dos fornecedores chineses, por exemplo. Em função disso, temos feito constantes gestões junto ao governo federal pedindo medidas que compensem os problemas causados pelo câmbio. A total falta de competitividade da indústria já está começando a criar um dos maiores problemas que uma nação pode ter: a redução de sua capacidade de empregar”, conta. Barbato lembra que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou queda de 2% na atividade industrial do setor no ano passado. “O que retrata a situação da nossa indústria atualmente não é o lucro, mas o ritmo de atividade industrial, que ainda não é tão bom”, completou.
Um levantamento recente da Abinee mostra que as indústrias do setor eletroeletrônico contrataram 5.700 trabalhadores em 2011. Este número é 62% menor que os 14.800 contratados em 2010. Para este ano, diz Barbato, a tendência de retração continua. Nos cinco primeiros meses de 2012 foram abertas 1.600 novas vagas, o que representa redução de 63% em relação às adições realizadas no mesmo período do ano passado.
Como aponta Barbato, a indústria de componentes para televisores, computadores e celulares não está instalada no Brasil e, para que o País possa desenvolver estes insumos, precisa, além do câmbio favorável, estabelecer uma política industrial que crie condições de longo prazo para atrair fabricantes para o território nacional. “Esta indústria foi dizimada na década de 1990 no governo Collor. Ela é estratégica, pois a tecnologia dos produtos reside nos componentes. Os grandes fabricantes mundiais querem comprar componentes de qualidade por um preço competitivo e, se identificarem essas condições no Brasil, certamente passarão a comprar aqui”, diz.
De acordo com o presidente da Abinee, os segmentos que mais serão beneficiados com valorização do dólar são os equipamentos industriais (como motores e geradores), produtos de utilidade doméstica e materiais elétricos de instalação (tomadas, disjuntores). “No âmbito dos produtos de utilidade doméstica, vivemos problemas sérios com os eletroportáteis. É grande a dificuldade de fabricarmos batedeiras, ferros de passar e liquidificadores a preços suficientemente baixos para concorrerem com os importados”, disse.

Fonte: Banco do Brasil.