With Borders

No Borders

04/07/2012

MANTEGA REFORÇA IDEIA DE PISO DO DÓLAR E FAZ COTAÇÃO SUBIR

SÃO PAULO - De novo, o governo conseguiu influenciar o câmbio “no grito”. Declarações do ministro Guido Mantega, de que a atual política cambial será mantida conseguiram reverter a queda observada no início do dia. Mantega disse que os produtos brasileiros estão mais competitivos no mercado internacional com a desvalorização de cerca de 20% da taxa de câmbio nos acumulado dos 12 meses, colocação que corroborou a ideia de que o governo não quer o dólar abaixo de     R$ 2.
Ontem, movimento semelhante foi observado. A moeda americana voltou a subir depois que o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmou que a autoridade monetária pode atuar na ponta compradora de dólares e que os dados fracos sobre a produção industrial divulgados sugerem uma taxa de câmbio acima de R$ 2.
Por volta das 14h50, o dólar comercial subia 0,84%, para R$ 2,036 na venda, após oscilar entre máxima de R$ 2,038 e mínima de R$ 2,012. Na BM&F, o contrato futuro de dólar com vencimento em agosto ganhava 0,91%, para R$ 2,0445, após máxima de R$ 2,047.
A liquidez é pequena nos mercados financeiros hoje, por causa do feriado americano que comemora o Dia da Independência. No caso dos juros futuros, o que se viu foi uma ligeira elevação das taxas, embora a tendência geral ainda seja de queda, diante de indicadores fracos de atividade.
Na bolsa brasileira, a ausência da referência de Wall Street também reduz o volume de negócios. Mas o Ibovespa conseguiu descolar-se da cautela que se vê nas bolsas europeias, que fecharam em baixa, e se mantém no terreno positivo, puxado por ações de siderúrgicas e mineradoras.
Lá fora, o que pesa sobre os negócios é a expectativa pela reunião do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), amanhã. Para surpreender, o BCE terá de vir com algo mais do que um corte de 0,25 ponto porcentual, para 0,75%, da taxa básica de juros da zona do euro.


Bovespa


O Ibovespa melhorou o sinal e descolou das bolsas europeias, puxado por siderúrgicas e mineradoras. Por volta das 14h50, o índice subia 0,32%, para 55.958 pontos. O volume financeiro da Bovespa é pequeno, de R$ 2,5 bilhões. Segundo operadores, o volume hoje será pífio, com projeção de apenas R$ 3,3 bilhões até o fim do dia.
OGX se recupera, sobe 1,14%, para R$ 6,17, e tem o maior volume da bolsa, de R$ 223 milhões. A segunda colocada em giro financeiro é Petrobras PN, que sobe 0,10%, para R$ 19,01, com R$ 156 milhões. Vale PNA sobe 0,05%, para R$ 39,88.
Nos segmentos de mineração e siderurgia, sobem Usiminas PNA (+4,5%, para R$ 7,08), CSN (3,7%, para R$ 12,52), Usiminas ON (2,9%, para R$ 8,34) e MMX (2,8%, para R$ 6,59). De acordo com profissionais, há rumores no mercado de aumento de preços de aço plano no mercado interno, que impulsionam sobretudo Usiminas e CSN. Segundo fontes, a Usiminas teria informado a alguns de seus distribuidores nesta semana que tem planos de elevar os preços de produtos usados nos setores automotivo e de construção, entre 5% e 7%, numa tentativa de restabelecer margens.
Além dos rumores sobre aço, os números ruins de PMI da Alemanha, Reino Unido e China divulgados hoje reforçaram, nas mesas, a expectativa por novas medidas de estímulo pelos mais variados governos.
Profissionais comentam ainda que o mercado vai passar por ajuste em julho, após um primeiro semestre ruim. Os segmentos de commodities estiveram entre os que mais apanharam na bolsa entre janeiro e junho.
Outro fator que ajuda nos ganhos são as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro falou em mais desoneração de folhas de pagamento e aventou a possibilidade de fazê-lo sem exigência de contrapartida de faturamento. Mantega também garantiu que os investimentos em petróleo e gás até 2015 vão se realizar, e disse que a Vale tem bala na agulha para investir R$ 40 bilhões.

Fonte: Valor Econômico.