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13/07/2012

RISCO CAMBIAL É MAIOR PARA MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Com menor acesso a operações financeiras para reduzir o risco de variação cambial, as micro e pequenas empresas exportadoras buscam soluções que reduzam o prazo de pagamento, como a modalidade Exporta Fácil, dos Correios, e vendas externas via traders.
Segundo o economista Rodrigo Branco, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), opções como trava cambial e swap cambial - normalmente utilizadas por grandes empresas - não são oferecidas para exportadores de pequenos valores. "Os bancos não propõem essas operações porque o risco é muito maior com pequenas e médias empresas. Se você tem faturamento reduzido, não tem constância, o risco é maior e o spread (margem do banco) também, impossibilitando a contratação", explica Branco. "O custo de soluções de seguro fica muito caro, só valendo a pena quando diluído em um volume maior de exportação", concorda Paulo Alvim, gerente da Unidade de Acesso a Mercados e Serviços Financeiros do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A instituição atua na promoção de exportações, oferecendo consultorias e iniciativas como rodadas de negócios com compradores internacionais.
Para reduzir o risco de perdas, especialmente em períodos de volatilidade cambial, como o atual, pequenas e micro empresas buscam negócios com prazo de pagamento menor do que o usualmente praticado no mercado internacional, que varia entre 90 e 120 dias, explica Alvim. Um dos principais mecanismos utilizados é a exportação via Exporta Fácil, modalidade oferecida pelos Correios. Nesse caso, o pagamento é feito normalmente no momento da retirada da mercadoria pelo comprador no exterior, podendo ser via cartão de crédito, por exemplo. "O prazo é simplesmente o da logística", explica Alvim. Entre as vantagens do Exporta Fácil, que nos últimos dois anos realizou cerca de 20 mil exportações, está o baixo custo burocrático, à medida que o processo é simplificado, sem exigência de pagamento de despachante aduaneiro e outras taxas. Outra opção simplificada para micro e pequenos empresários é exportar via traders, que conseguem acessar mecanismos de seguro e pagar com prazo menor.
A oscilação cambial é um dos motivos que faz com que as empresas de menor porte não se mantenham no mercado internacional, acrescenta Alvim. O número de micro e pequenas empresas exportadoras (com até R$ 3,6 milhões de faturamento anual, podendo chegar ao dobro, desde que o valor extra-limite seja preenchido com exportações) caiu de 13.973 em 2004 para 11.525 em 2011, segundo a Funcex. Lançado neste ano, o Plano Nacional da Cultura Exportadora tem meta de elevar esse número entre 10% a 15% ao ano a partir de 2013.

Fonte: Terra Notícias.