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16/07/2012

CHINA REDUZIRÁ TAXA SOBRE REMESSA DE LUCROS

Corte pode chegar a 50%, conforme país de origem da empresa. Premier diz que "dificuldades econômicas devem continuar"


A China vai reduzir os impostos cobrados sobre a remessa de lucros de empresas estrangeiras em até 50%, informou ontem o jornal britânico "Financial Times". Isso ocorrerá após a flexibilização das regras sobre a retenção de impostos na fonte, parte do esforço do governo para estimular o investimento estrangeiro na China. Dependendo do país, o imposto pode cair de 10% para 5%.
A medida, segundo o jornal, também será aplicável aos dividendos pagos por empresas chinesas de capital aberto a acionistas estrangeiros. Em ambos os casos, a alíquota menor de imposto só será adotada no caso de empresas e acionistas com sede em países que tenham acordo fiscal com a China para evitar taxação em dobro. Esse não é o caso, por exemplo, dos Estados Unidos.
Em 2011, segundo dados do Escritório Estatal de Câmbio, foram repatriados cerca de US$ 65 bilhões. Especialistas da consultoria KPMG disseram ao "Times" que as empresas podem acabar reinvestindo na China o que pouparem com o pagamento de impostos. "Por causa da situação econômica global, a China acha necessário criar um ambiente mais amigável para investimentos estrangeiros", explicou Khoon Ming Ho, da KPMG China. "E isso acontece no momento em que as empresas se preparam para fazer as remessas dos ganhos do primeiro semestre".


Governo mira empregos e renovação da indústria


Apesar de medidas como essa, a desaceleração da economia chinesa, confirmada na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) do país na sexta-feira, deve continuar por mais algum tempo. O alerta foi feito no sábado pelo próprio premier chinês, Wen Jiabao, durante visita à cidade de Chengdu, na província de Sichuan.
- O crescimento econômico de nosso país continua dentro da meta estabelecida este ano, e estamos vendo os efeitos das políticas de estabilização - afirmou Wen. - No entanto, é preciso observar que ainda não estamos em uma recuperação estável, e as dificuldades econômicas devem continuar por algum tempo.
O PIB chinês cresceu 7,6% no segundo trimestre, depois de se expandir 8,1% no primeiro. O governo projeta fechar o ano com avanço de 7,5%.
O premier disse ainda que o governo dará prioridade à criação de empregos e isenções fiscais para compensar a queda nas exportações das empresas. Além disso, haverá estímulos ao setor privado, e o governo vai renovar as instalações industriais e investir em urbanização, com o objetivo de estimular o consumo.
Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, em reunião com empresários locais, Wen pediu que eles invistam em pesquisa e desenvolvimento de produtos, a fim de fazer face à queda nas exportações e à alta nos custos de produção. O premier também disse que o governo vai se voltar mais para o setor de logística, cujas melhorias podem estimular o crescimento do consumo e da produção.

Fonte: O Globo.