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16/07/2012

FMI: BCE DEVE FAZER MAIS PARA APOIAR ECONOMIA

Fundo defende recapitalização dos bancos através do mecanismo de resgate


O Fundo Monetário Internacional defende que o Banco Central Europeu deve lançar novas medidas extraordinárias para apoiar a economia. Entre elas, sugere o regresso à compra de dívida pública dos países em dificuldades.
‘‘Há espaço para a política monetária na Zona Euro aliviar ainda mais’’, lê-se no World Economic Outlook do FMI, que foi divulgado esta segunda-feira.
O FMI aponta nomeadamente na «reativação» do programa de compra de dívida pública dos países em maiores dificuldades no mercado secundário (Securities Market Programme) e novas linhas de financiamento a longo prazo (como os empréstimos a três anos destinados aos bancos europeus, realizados em dezembro e março) ‘‘com menores requisitos de colateral [garantia]’’.
A ‘‘introdução’’ de um programa de tipo Quantitative Easingtambém é referido pela instituição. Este instrumento de política monetária, recentemente falado por estar a ser utilizado pela Reserva Federal norte-americana (Fed), passa pela expansão da base monetária através da compra de ativos no mercado pelo banco central.
A recapitalização direta dos bancos através do fundo europeu de resgate e um aprofundamento dos progressos das medidas da última cimeira europeia no sentido da união bancária e integração orçamental são também defendidos pelo FMI.
A instituição sediada em Washington mostra-se preocupada com a qualidade dos ativos dos bancos europeus e considera que o capital das instituições bancárias e as medidas de reestruturação ainda são ‘‘insuficientes para restaurar a confiança dos mercados’’.
Para colmatar essas falhas, defende ‘‘injeções diretas de capital a partir do Mecanismo Europeu de Estabilidade’’, fundo cuja ratificação por todos os Estados-membros o FMI considera ‘‘essencial’’.
A cimeira de junho aprovou, por exigência da Itália e da Espanha, um acordo que prevê designadamente a compra de dívida soberana no mercado secundário pelos fundos de resgate europeus, e a possibilidade de uma recapitalização direta dos bancos por estes fundos sem agravar as dívidas nacionais, medidas a que a chanceler alemã, Angela Merkel, se tem mostrado cética.
Ainda no Relatório Global de Estabilidade Financeira, o FMI considera que as medidas da cimeira europeia ‘‘terão de ser complementados, como previsto, com mais progresso em direção a uma união bancária de pleno direito e a uma maior integração orçamental’’.
Para a instituição, são positivas as intenções de criar um supervisor bancário único à escala europeia. No entanto, alerta, também é preciso um fundo de garantia depósitos comum e um mecanismo de resolução bancária europeu, com pressupostos comuns em caso de liquidação de uma instituição bancária.
Todos estes passos ‘‘seriam úteis se fossem complementados pelos planos de integração orçamental’’.

Fonte: Agência Financeira.