With Borders

No Borders

17/07/2012

COMMODITIES SEGUIRÃO EM PATAMARES ELEVADOS, DIZ OCDE

As commodities, que se situam como parte fundamental da pauta exportadora brasileira, ainda devem render divisas valiosas para o País nos próximos anos. De acordo com o relatório “Perspectivas Agrícolas 2012-2021″, publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Agência da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO), divulgado na semana passada, os preços das commodities seguirão em patamares elevados na próxima década. Os destaques ficarão com a carne e as oleaginosas, reflexo da enorme demanda pelas economias emergentes. O documento também apontou um cenário favorável para os produtores agropecuários brasileiros nos próximos anos.


Carne bovina: preços em alta (StockXhing)


De acordo com o relatório, os preços mundiais (em termos nominais) para várias commodities deverão se manter em alta. Em termos reais (ajustados pela inflação), a média dos preços deverá ficar entre 10% e 30% acima da última década, e os de commodities agrícolas subirão acima da média do período 2002-2011 (exceto o trigo e o arroz).
O Brasil e os EUA deverão continuar a liderar o comércio internacional de carne bovina, que poderá aumentar 18% no intervalo entre 2012 a 2021, pois a demanda por este tipo de alimento crescerá, principalmente na Ásia, Oriente Médio e América Latina. Segundo o documento, a produção de carne de frango vai ter expansão destacada como produto mais barato e mais acessível fonte de proteína, superando a carne suína.
Como lembra Paulo Molinari, analista da consultoria Safras & Mercados, a população mundial atingirá nove bilhões de habitantes em 2050, contra os sete bilhões atuais. “A perspectiva é que saiamos da atual crise econômica nos próximos anos e que o consumo mundial aumente. Temos que ver se a produção agrícola no mundo vai conseguir acompanhar a demanda. Nos últimos anos, tivemos vários problemas com o clima, o que afetou a produção em diversas partes no mundo. Recentemente uma forte estiagem levou a quebra de safra na soja no Brasil e na Argentina”.
Segundo o documento, produtores tradicionais como Austrália, Argentina, Canadá, Nova Zelândia e EUA continuarão importantes na próxima década. Mas países que têm feito investimentos firmes, como Brasil, Rússia, Ucrânia e China deverão aumentar ainda mais a presença nos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, a China se tornará o maior produtor mundial de açúcar e responderá por 52% das importações mundiais de oleaginosas. “São regiões com condições climáticas para aumentar a produção. O leste europeu, a Índia e a Austrália, no entanto, têm capacidade limitada, pois não possuem mais tantos terrenos disponíveis para a ampliação da fronteira agrícola”, explica Molinari.

Fonte: Banco do Brasil.