With Borders

No Borders

19/07/2012

BC MANTÉM DISCURSO, MAS VEM MAIS CORTE DE JUROS À FRENTE, DIZ LINK

SÃO PAULO – Mesmo traçando um cenário mais positivo para a evolução da atividade econômica nesta semestre, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) não altera a expectativa geral do mercado de que a Selic poderá cair ainda mais, para 7,5% ou 7% ao ano.
Essa é a avaliação da economista-chefe da Link Investimentos, Marianna Costa, para quem os dados econômicos a serem divulgados nas próximas semanas terão peso relevante sobre a formação dessa expectativa.
Marianna diz que compartilha da visão apresentada pelo Banco Central de que a economia mostrará recuperação nos próximos meses, graças à queda dos juros que ainda deve ser sentida de forma mais plena pela economia, assim como uma série de estímulos fiscais já adotados e o aumento da oferta de crédito.
“Vetor relevante será a dinâmica da economia mundial, que hoje se supõe que estará em condições um pouco menos adversas, em particular no que concerne à confiança dos agentes”, conclui.


Veja, a seguir, a íntegra da entrevista;


Valor: O documento traz alguma pista sobre a evolução do ciclo de alívio monetário?


Marianna Costa: A autoridade monetária traça um cenário muito similar ao apresentado nos documentos mais recentes, como as atas das últimas duas reuniões do Copom e o relatório trimestral de inflação publicado em junho.
Assim, o colegiado aponta que entende o cenário externo ainda como adverso e desinflacionário. O colegiado também reafirma que o comportamento recente da atividade doméstica sugere retomada menos intensa do que o esperado, mas a segunda metade do ano deve ser mais positiva.
E em relação ao cenário prospectivo de inflação há o entendimento de que este se mostra benigno e há menor pressão sobre o estreitamento do hiato do produto. Em relação aos próximos passos a serem dados pela autoridade monetária, o colegiado volta a salientar que o processo de afrouxamento monetário adicional deve ser conduzido de forma parcimoniosa.
Dessa forma, a ata alterou muito pouco a expectativa que existe hoje entre os agentes acerca do tamanho do ciclo total de queda dos juros, que conta com mais um ou dois cortes de 0,50 ponto percentual, trazendo a taxa Selic para 7%.
Os dados econômicos a serem divulgados nas próximas semanas terão peso relevante sobre a formação desta expectativa.


Valor: A ata do Copom traz explicitamente a ideia de recuperação da atividade econômica no segundo semestre. Essa também é a sua visão?


Marianna: Existem muitos fatores que devem contribuir para a retomada do crescimento na segunda metade do ano. Dentre os principais, a queda dos juros ainda deve ser sentida de forma mais plena pela economia, assim como uma série de estímulos fiscais já adotados.
O aumento da oferta de crédito corrobora essa percepção de retomada, mesmo crescendo de forma mais moderada do que ao observado no ano de 2011. Vetor relevante será a dinâmica da economia mundial, que hoje se supõe que estará em condições um pouco menos adversas, em particular no que concerne à confiança dos agentes.
Nesse sentido, há uma combinação de fatores que sugere um período de retomada da economia à frente, ainda heterogênea entre setores, indústria fraca e serviços um pouco mais fortes.
Valor: As preocupações com o ambiente doméstico parecem mais intensas neste momento do que com a evolução da crise, uma vez que o BC afirmou que é menor o risco de eventos extremos?
Marianna: A avaliação acerca do cenário externo foi alterada apenas no sentido de que o risco de ruptura diminui bastante, mas não houve alteração sobre a dinâmica da economia mundial, a qual se entende que segue fraca.
O não sucesso em se conseguir endereçar uma solução para a crise europeia é importante restrição para um cenário de melhora. A redução da probabilidade de eventos extremos tem efeito relevante sobre a confiança dos agentes.
O colegiado não parece ter dado mais ênfase à economia doméstica agora do o que já sinalizado em comunicados anteriores, mas a melhora do nível de incerteza corrobora a expectativa de que a segunda metade do ano deve ser melhor.


Valor: Os IGPs começam a mostrar pressão sobre preços no atacado novamente. Esse fator pode indicar alguma mudança na dinâmica da inflação?
Marianna: Habitualmente existem algumas pressões de preços que aparecem primeiro no atacado e aos poucos vão sendo repassadas para os preços ao consumidor.
Como acontece muito no caso de alimentos, como soja e milho, que chega ao consumidor por meio do preço de subprodutos, como óleo e carne de frango; ou como o aumento do preço do diesel, que vai chegar para o consumidor por meio de vários outros produtos.
Hoje há alguma pressão sobre alimentos em função da seca no Hemisfério Norte, portanto há aumento do risco de pressões mais importantes à frente no que concerne à inflação ao consumidor.

Fonte: Valor Econômico.