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25/07/2012

BRASIL É O DÍNAMO DA DISCUSSÃO CAMBIAL NO ÂMBITO DA OMC, DIZ EMBAIXADOR EM SEMINÁRIO

Não foi tarefa fácil, de acordo com Roberto Azevedo, embaixador do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), inserir a discussão cambial na agenda do organismo internacional. A resistência foi forte. "Quem está confortável não quer entrar na zona de desconforto", explicou o embaixador, um dos participantes do seminário "Impactos do câmbio sobre o comércio internacional".
O evento foi realizado nesta terça-feira (24/07) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV) e o instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI).
Segundo o embaixador, graças à pressão brasileira, o mundo inteiro reconhece a existência do problema. "O Brasil é o dínamo nessa discussão na OMC. Se pararmos de puxar a carroça, ela para", assinalou, para quem a temática cambial ainda é um tabu no cenário das relações internacionais.
Aluísio de Lima-Campos, professor adjunto do Washington College of Law e presidente do Instituto ABCI (Analistas Brasileiros de Comércio Internacional), disse que a questão cambial é, na atualidade, a mais importante e crítica a ser debatida.
"O câmbio manipulado do ponto de vista de valorização é a mesma coisa que dopar um atleta, ou seja, se o doping é ilegal, então, esse tipo de medida também deve ser", destacou Lima-Campos.
De acordo com Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV), a falta de estabilidade da taxa cambial do Brasil desestimula os empresários. "Este é um momento trágico para a economia brasileira", disse Nakano, em referência à desindustrialização brasileira.
"Se não conseguirmos reverter a situação, vamos virar a Grécia: um país de prestação de serviços e sem indústria", alertou o diretor da EESP/FGV.
Apesar das medidas adotadas pelo governo serem "boas, mas ineficientes", o processo de recuperação levará tempo. "É preciso harmonizar a economia interna com o melhor modelo de economia e de competitividade internacional", sugeriu Nakano.
O seminário "Impactos do câmbio sobre o comércio internacional" reúne alguns dos principais especialistas no assunto para debater sobre os efeitos dos desalinhamentos das taxas de câmbio nos instrumentos que compõem a agenda do comércio internacional, dentre eles, tarifas, medidas antidumping, medidas compensatórias, salvaguardas, regras de origem e retaliações autorizadas.

Fonte: Agência Indusnet Fiesp.