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26/07/2012

MERCOSUL E UE ADIAM NEGOCIAÇÕES BILATERAIS

O Brasil acertou com a União Europeia (UE) o adiamento de negociação com o Mercosul, prevista para esta semana em Brasília, devido ao novo quadro provocado pela suspensão do Paraguai e a entrada da Venezuela no bloco do Cone Sul.
O comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht, conversou com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e concordou com o pedido brasileiro para empurrar a negociação para o mês de outubro, com o objetivo de tentar realmente avançar, apesar dos solavancos políticos e econômicos existentes nos dois lados.
O plano brasileiro é de voltar a fazer troca de ofertas de liberalização durante sua presidência do Mercosul, que vai até dezembro deste ano. Mas as dúvidas são fortes, pela situação política no bloco e pela resistência de variados setores econômicos nos dois lados a tentativas de liberalização no cenário atual.
A Venezuela deve formalmente entrar no Mercosul no fim do mês, mas apenas depois é que ficará mais claro como o país vai implementar a Tarifa Externa Comum (TEC). Negociadores brasileiros preferem acreditar que o governo de Hugo Chávez não complicará o processo, até porque seus representantes já vêm acompanhando as negociações como observadores.
A União Europeia tenta acelerar os acordos bilaterais de comércio para tentar aumentar as exportações e dar um impulso no crescimento que, todo mundo concorda, vai ser fraco durante anos, no rastro da pior crise da dívida dos últimos tempos.
Os europeus estudam negociar um acordo bilateral com os Estados Unidos, Canadá e Japão e dizem estar concluindo uma negociação com a Índia até o fim do ano, por exemplo.
Um estudo da União Europeia avalia que o impacto acumulado de acordos comerciais em negociação elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) europeu em 1,2 ponto percentual, o equivalente a € 150 bilhões para a economia do continente no médio prazo.
Segundo esse estudo, um dos acordos pelo qual os europeus ganhariam menos é justamente o que tentam fechar com o Mercosul. O bloco do Cone Sul venderia € 500 milhões a mais que os europeus.
O certo é que as negociações atuais da União Europeia com vários parceiros podem ser um incentivo para algum avanço com o Mercosul. É que em cada negociação outros países obtêm acesso privilegiado no mercado europeu e isso eleva a concorrência com os produtos brasileiros. Assim, em algum momento o Mercosul precisará também de entrada com uma tarifa menor para poder concorrer na venda de vários produtos.

Fonte: Valor Econômico.