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26/07/2012

EXPORTAÇÕES DE ETANOL PODEM ATINGIR 10 BILHÕES DE LITROS

O Brasil pode se consolidar como principal fornecedor de biocombustíveis no mundo entre o fim desta década e o início da próxima. Esta é a avaliação do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), em pesquisa realizada este ano em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo o documento, as exportações brasileiras líquidas de etanol poderão saltar de um patamar de 1,8 bilhão de litros, registrado na safra 2010/2011, para 10,27 bilhões em 2021/2022, um acréscimo de 470%. Os embarques de açúcar poderão ter alta de 25% no período, chegando a 35 milhões de toneladas.


Usina de etanol: País produz em larga escala (Divulgação)


O relatório aponta que cerca de 70% da demanda de biocombustíveis na próxima década virá dos Estados Unidos, que deverão continuar sendo o principal comprador de etanol brasileiro. De acordo com recente legislação norte-americana para o setor, o produto brasileiro é classificado como “renovável avançado”, pelo fato de reduzir em até 61% as emissões de gases de efeito estufa, em comparação com a gasolina. As outras duas classificações são: “renovável” (como o etanol de milho, que reduz em até 50% a emissão destes gases, ante a gasolina) e o “celulósico” (feito a partir de celulose).
“Entre todos os tipos de biocombustíveis classificados pelo governo dos EUA, o único que é produzido em larga escala é o etanol brasileiro”, diz Marcelo Moreira, pesquisador do Icone. Ele explica que a Agência de Proteção ao Meio Ambiente (EPA) dos Estados Unidos, estabeleceu uma meta da quantidade de combustíveis “verdes” que deverão ser consumidos pelos norte-americanos até 2022, em substituição à gasolina. A meta prevê o consumo de 36 bilhões de galões de etanol, dos quais 21 bilhões devem ser necessariamente “renováveis avançados” – justamente a classificação do etanol brasileiro.
“No ano passado, vendemos 1,7 bilhão de litros de etanol para o mundo todo. O nosso auge foi em 2008, quando exportamos 4,6 bilhões de litros. Desde então, por problemas climáticos e de produção, os embarques foram declinando”, afirma o pesquisador do Icone. Segundo Moreira, para que o cenário previsto pela entidade se confirme, será preciso que novos investimentos nos canaviais sejam destravados. “Até 2015, vemos uma redução da ociosidade e uma diminuição das oportunidades de compra e venda de usinas já existentes. Isso pressionaria por um cenário de novos investimentos e de ampliação da capacidade de processamento de cana. As usinas só chegam a funcionar em plena capacidade depois de três anos de operação”, explica.
O relatório diz que a China é um mercado consumidor com grande potencial, apesar de incerto. “Depende muito da decisão do governo chinês sobre a ampliação do uso da energia limpa nos transportes”, explica. Segundo ele, a União Europeia também é um mercado potencial, mas tem uma legislação sobre combustíveis “verdes” muito ambígua, o que permite aos governos locais criarem mecanismos de proteção de importação de etanol de acordo o cenário econômico no momento.
Moreira diz que muitos países ficam reticentes em adotar o etanol de cana-de-açúcar, pois atualmente só o Brasil tem condição de produzir em larga escala. “O ideal é aumentar o numero de nações produtoras de etanol para incrementar a disponibilidade do produto no mercado. Podemos exportar a tecnologia para outros países em desenvolvimento, como os da América Latina, África e Ásia. Seria uma competição saudável”, avalia.

Fonte: Banco do Brasil.