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27/07/2012

SECA LEVA EUA A IMPORTAR MILHO DO BRASIL

A forte seca que assola o Centro-Oeste dos Estados Unidos afetou fortemente a produção de milho norte-americana. Tanto que o país, maior produtor mundial do grão, passou a importar o produto brasileiro. Alguns especialistas consideram a situação bastante incomum: os EUA comprarem milho de outro país seria algo semelhante à Arábia Saudita importar petróleo.
Com a quebra de safra norte-americana, os EUA vão produzir 320 milhões de toneladas de milho este ano – ou 55 milhões de toneladas a menos do que o previsto. “Como os americanos consomem quase todo o milho que produzem, vai faltar o produto para seu mercado doméstico e o Brasil pode conseguir aumentar ainda mais as exportações”, comenta Sérgio Mendes, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
De acordo com Mendes, as estimativas relacionadas à produção norte-americana de milho estão caindo a cada relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês). “Se até pouco tempo diziam que 70% da lavoura de milho do país se encontrava em condições climáticas excelentes, hoje a porcentagem caiu para 26%”, diz.
As exportações brasileiras de milho também se beneficiam do fato de a safrinha (de inverno) brasileira do grão se encontrar atualmente em plena colheita, segundo informações da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).
De acordo com os dados da Conab, a receita das exportações brasileiras de milho cresceu 123,6% de janeiro a maio deste ano ante os cinco primeiros meses do ano passado, para US$ 3,8 milhões. Em volume, o aumento registrado no mesmo período foi de 118,9%, para 1,3 mil toneladas.
O movimento foi na contramão das exportações nacionais da commodity, cuja receita caiu 31,7%, para US$ 496 milhões, e o volume registrou queda de 39,6%, para US$ 1,6 milhão, na comparação entre os seis primeiros meses de 2011 e 2012.
“O preço do milho se encontrava em patamares menores no começo do ano, mas se recuperou por causa da estiagem nos EUA”, afirma Rafael Ribeiro, analista de mercados da Scot Consultoria. “Outro fator que ajudou os embarques nacionais de milho foi o aumento da área de lavoura, impulsionado pela alta dos preços do produto no mercado internacional”, aponta Ribeiro.
Segundo o último levantamento divulgado pela Conab, a área plantada de milho na safra 2011/12 cresceu 9,4% sobre o ciclo anterior (2010/11), para 15,1 milhões de hectares. Já a estimativa da entidade para a produtividade do grão aumentou 10,6%, para 4,5 toneladas por hectare, e a produção subiu 21%, para 69,4 milhões de toneladas.
Atualmente, a região Centro-Oeste abriga 34,6% da área plantada de milho do Brasil. Logo em seguida estão o Sul, com 31%, e o Nordeste, com 15,6%. O Sudeste e o Norte têm 14,8% e 3,7%, respectivamente. “Na safra 2011/12, a área plantada cresceu principalmente no Mato Grosso, em Goiás e no Paraná, o que aumentou bastante a oferta na safrinha. Na comparação de julho deste ano com o do ano passado, o preço do milho está 30% maior no mercado internacional. Mato Grosso, por exemplo, está colhendo o dobro de milho sobre 2011”, explica o analista da Scot Consultoria.

Fonte: Banco do Brasil.