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01/08/2012

APÓS OITO ANOS, VENEZUELA É OFICIALIZADA NO MERCOSUL

Em meio a um dos momentos mais conturbados que já enfrentou, com a suspensão temporária do Paraguai e o protecionismo cada vez maior da Argentina, o Mercosul formalizou ontem, após oito anos de tramitação, a entrada da Venezuela no bloco econômico. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, com a incorporação dos venezuelanos o bloco passará a contar com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB da América do Sul) e uma população de 270 milhões de habitantes (70% da região). Com a adesão formalizada, a Venezuela se torna a terceira maior economia do Mercosul, atrás apenas de Brasil e Argentina, e a frente de Uruguai e Paraguai. Colômbia, Chile, Peru, Equador e Bolívia ainda esperam se tornar membros efetivos.
O processo de formalização da Venezuela no Mercosul está em trâmite desde 2004, quando a nação assinou o Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Colômbia, Equador e Venezuela. No ano seguinte, durante a XXIX Conferência do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, ganhou status de Estado associado em processo de adesão (sem direito a voto). Em julho de 2006, a Venezuela ratificou o protocolo de entrada ao bloco.
Na avaliação de Hugo Chávez, presidente venezuelano, o país irá “complementar a equação” do bloco. “Com a Venezuela, o Mercosul se abre ao Caribe, incrementa seu território, sua população, seu potencial econômico de maneira importante”, afirmou na noite de segunda-feira, após jantar com a presidente Dilma Rousseff. Chávez também fez um “chamado” ao setor privado venezuelano. “É um mundo infinito de oportunidades que se apresenta com a entrada no Mercosul para o desenvolvimento nacional, para aumentar o potencial de nossas empresas, criar novas empresas, realizar transferência tecnológica, gerar novos postos de trabalho”, disse.
Analistas, no entanto, apontam que o excesso de intervenções estatais na economia venezuelana – como estatizações e controle de preços – prejudica o sistema produtivo do país. Hoje, os principais produtos exportados pela Venezuela são os derivados de petróleo, como naftas para petroquímica (52,4% do total exportado), coque de petróleo não calcinado (10,3%), metanol (5,3%) e ureia com teor de nitrogênio (5,1%). No acumulado de janeiro a junho deste ano, a Venezuela exportou para o Brasil US$ 598,1 milhões. Em contrapartida, comprou US$ 2,3 bilhões do País nos seis primeiros meses do ano, crescimento de 31,8% sobre igual período de 2011. Os principais produtos vendidos pelo Brasil foram bovinos vivos (9,7% do total embarcado), carnes bovinas desossadas (8,7%), aparelhos de destilação ou retificação de álcool (5,8%), carnes de aves (4,8%) e outros pneus novos para caminhões (2,4%). Na comparação entre o primeiro semestre do ano passado com o deste ano, o superávit do Brasil com a Venezuela cresceu 49,4%.
O novo membro do Mercosul permanecerá com 800 itens protegidos no intercâmbio com os demais associados. São setores sensíveis, como bens de capital, autopeças, automóveis, flores, petroquímicos e eletroeletrônicos, que não sobreviveriam à abertura total do mercado. Eles só terão tributos reduzidos a partir de 2018, dentro de prazos que ainda serão estabelecidos.
“A Venezuela não exporta nada além de petróleo e derivados e importa todo o restante. Seu ingresso ocorre mais pelo lado politico do Mercosul, pois representa uma acomodação de um vizinho importante, que divide uma série de questões comuns, como a segurança da fronteira contra o trafico de armas e de garimpo”, explica Alberto Pfeifer, membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint), da Universidade de São Paulo (USP). “Há de se levar em conta também que é uma nação com dimensões e população consideráveis”, completa.

Fonte: Banco do Brasil.