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03/08/2012

EXPORTAÇÕES PARA A ARGENTINA CAÍRAM 26,9% EM JULHO

As exportações brasileiras para a Argentina em julho caíram 26,9%, para US$ 1,5 bilhão, em comparação com igual mês de 2011, informou na quarta-feira o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, durante a divulgação da balança comercial brasileira. Segundo Teixeira, os principais fatores responsáveis pela redução foram a atual crise econômica mundial e a queda do consumo no mercado doméstico argentino – e não as barreiras comerciais impostas pelo país vizinho aos produtos brasileiros em fevereiro. Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), porém, diz que a posição de Teixeira é diplomática: seria uma forma de amenizar o clima das negociações comerciais bilaterais.
“Na verdade, acho que o secretário tentou tirar de pauta um dos fatores que vêm chamando atenção na balança comercial do Brasil, que são as licenças não automáticas adotadas pela Argentina”, diz o economista. De acordo com dados do MDIC, a receita dos embarques para os argentinos caiu 15,3%, para US$ 8,8 bilhões, no acumulado dos seis primeiros meses do ano ante o primeiro semestre de 2011. “Os dados da Secretaria de Comércio Exterior são tangíveis neste aspecto. São as barreiras que reduziram as exportações para a Argentina, não só do Brasil, mas de todo o mundo”, afirma.
Empresários dos dois países se queixam de retenção nas fronteiras. “O Brasil dificultou a entrada de maçãs e outros produtos da Argentina, por exemplo”, diz o economista da Funcex. Teixeira nega que haja retenções acima do permitido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) e afirma que o comércio bilateral vem se normalizando. Na segunda-feira, técnicos dos dois governos se reuniram em Brasília para discutir o comércio bilateral.
Em julho, segundo dados divulgados pelo ministério, as importações portenhas de produtos brasileiros caíram 12% em relação a junho. Foi uma queda menor que a registrada em junho ante o mês anterior (18%). Um assessor do Ministério do Desenvolvimento diz que o governo brasileiro não tem pretensão de recuperar os níveis de exportação ao vizinho registrados no passado. O maior esforço, segundo este assessor, tem sido garantir aumentos, ainda que modestos, a cada mês.
Segundo projeção de Rodrigo Branco, o superávit do Brasil com a Argentina pode atingir US$ 10 bilhões este ano, resultado positivo, mas ainda quase 100% menor do que o registrado em 2011. “As negociações têm contribuído para amenizar a situação. Isso é importante porque os argentinos têm que comprar o que está em falta no mercado, como produtos manufaturados”, revela. De acordo com o economista, 90% do que o País vende para os argentinos são produtos manufaturados e semimanufaturados, mercadorias de alto valor agregado.

Fonte: Banco do Brasil.