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16/08/2012

PACOTE PARA LOGÍSTICA TEM FOCO NO COMÉRCIO EXTERIOR

Com o Programa de Investimento em Logística, lançado ontem, o governo federal espera reduzir o chamado Custo Brasil e, assim, tornar a economia brasileira mais competitiva no mercado internacional. “Temos que restabelecer a capacidade de planejamento integrado dos sistemas de transportes ferroviário, rodoviário, hidroviário, portuário e aéreo com o setor produtivo do País”, afirma o ministro dos Transportes, Paulo Passos, que informou ainda que o governo pretende abrir um grande corredor de ferrovias para escoar mais de cinco milhões de toneladas de grãos e minérios. “Vamos fazer uma articulação por meio de ferrovias modernas entre o Nordeste, o Sul e o Sudeste”, completou.
Os investimentos previstos no programa somarão R$ 133 bilhões nos próximos 25 anos, sendo que, só nos próximos cinco anos, seriam investidos R$ 79,5 bilhões. O montante anunciado para as rodovias soma R$ 42 bilhões. Já as ferrovias receberiam R$ 91 bilhões.
Para Alcides Leite, professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, o programa chega atrasado, mas é bem-vindo: “É melhor fazer agora do que não fazer. Um dos principais gargalos para as exportações nacionais é a logística. O plano está indo pelo caminho certo, mas tem que ser rigoroso com o cronograma de investimentos”, diz. Ele lembra que as últimas empresas que ganharam a concessão de rodovias, ainda no governo Lula, não foram multadas por não investirem o necessário. “Hoje, o custo do transporte do Brasil é mais do que o dobro do registrado nos EUA e na Europa. Caso o cronograma estabelecido pelo programa seja cumprido, o preço dos produtos destinados ao mercado internacional cairia bastante e aumentaria muito o lucro das empresas brasileiras”, comenta Alcides Leite.
“O nosso objetivo é resgatar as ferrovias brasileiras como alternativa de logística para o País. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já foi o primeiro passo nesse sentido. Esse programa dá outros largos passos nessa direção”, explica o ministro dos Transportes. Dos 10 mil quilômetros de ferrovias que serão construídos, 2,6 mil contam com estudos avançados para construção, dentre eles o Ferroanel São Paulo (trechos Norte e Sul) e o acesso ao Porto de Santos. As audiências públicas estão previstas para janeiro de 2013 e os editais de construção devem ser publicados em março. As licitações seriam feitas em abril e os contratos, assinados entre maio e julho.
Os demais trechos, que somam 7,4 mil quilômetros, são: Uruaçu/Corinto/Campos, Salvador/Recife, Rio de Janeiro/Campos/Vitória, Belo Horizonte/Salvador, Maracaju/Mafra e São Paulo/Mafra/Rio Grande. Os estudos sobre estes trechos deverão ser concluídos até fevereiro de 2013, as audiências públicas em março, os editais publicados em maio e as licitações em junho. A assinatura dos contratos está prevista para ocorrer entre julho e setembro.
O governo vai conceder nove trechos de rodovias. O modelo de concessão prevê a seleção pelo menor valor de tarifa de pedágio a ser cobrada dos usuários, já aplicado em outras licitações. Nas próximas semanas, serão anunciados os planos para portos e aeroportos.

Fonte: Banco do Brasil.