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23/02/2012

IMPORTAÇÃO PÕE EM RISCO INDÚSTRIA DO ABC

O termo ‘desindustrialização’ tem sido cada vez mais usado – e temido – no País, principalmente no ABC. A vilã da história é a importação, que tem batido recordes. Dados da CEI (Coeficiente de Exportação e Importação) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), divulgada neste mês, apontam que o consumo de importados é o maior dos últimos nove anos. Como consequência, postos de trabalho já começaram a ser fechados na região. 
Pesquisa feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ratifica a informação, ao verificar que a maioria das montadoras registrou déficit comercial em 2011.
A Volkswagen, em São Bernardo, exportou US$ 1,9 bilhão no ano passado, mas importou US$ 2,2 bilhões, crescimento de 31,7% na importação. O mesmo ocorreu com a Ford, que exportou US$ 1,5 bilhão e importou US$ 1,8 bilhão. Renault, Peugeot e Toyota também fecharam 2010 com déficit. Apenas Fiat e GM registraram superávit.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino da Silva, o Martinha, o cenário tem afetado, principalmente, as autopeças. “Ainda estamos fazendo este levantamento, não temos números consolidados sobre demissões, mas já pudemos sentir neste começo de ano que as montadoras diminuíram os pedidos para empresas de autopeças. É justamente por colocar o emprego do trabalhador em risco que brigamos tanto para tentar barrar a importação”, diz. “Daqui a pouco iremos apenas parafusar os produtos aqui no Brasil”, provoca o sindicalista.


       Solução

Para tentar conter o avanço das importações, diversos setores da sociedade civil e até mesmo político apontam a diminuição de impostos, o incentivo para a produção nacional, a desburocratização e a diminuição do encargo trabalhista como soluções para tentar reerguer a indústria nacional. “O custo de produtos ou itens importados saem muito mais em conta do que os fabricados aqui, pois custam quase um terço dos nacionais. Por que isso?”, questiona Mauro Miaguti, vice-diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Bernardo.
Diretor do Ciesp Diadema, Donizete Duarte da Silva, prevê que, se nada for feito, a tendência é aumentar a importação. Entre as medidas de contenção apontadas por Silva está a implantação de uma “filosofia de educação de criação”. Segundo o dirigente, a falta de jovens interessados em criar, a carência de engenheiros no mercado nacional, reflete diretamente na qualidade da produção no Brasil. “Empresas de fora têm tecnologia melhor que a nossa. Estamos sempre atrás porque não há investimento em inovação, falta parceria com o meio acadêmico”, relata. “Importamos máquinas de fora porque são boas e baratas”, completa.

Fonte: Site Repórter Diário.