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23/08/2012

MDIC LANÇA O PLANO NACIONAL DA CULTURA EXPORTADORA

O Brasil conta agora com mais uma ferramenta para aumentar as exportações nacionais. Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), lançou ontem o Plano Nacional da Cultura Exportadora, cujo objetivo é coordenar e promover ações de desenvolvimento e difusão da cultura exportadora nos estados, além de desconcentrar, regionalmente, as vendas externas nacionais. O lançamento ocorreu durante a reunião do Conselho Nacional de Secretários de Desenvolvimento Econômico (Consedic), no auditório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em Brasília.
Durante o evento, Pimentel afirmou que o Brasil hoje faz parte do clube das economias desenvolvidas do mundo e que, por isso, a pauta brasileira de produtos exportados deve mudar. Para o ministro, a indústria nacional deve se adaptar para crescer de forma semelhante aos setores agrícola e mineral. “Os países desenvolvidos não têm uma pauta exportadora concentrada em commodities agrícolas e manufaturas de trabalho intensivo. Eles têm uma pauta de produtos de capital intensivo e de alto valor agregado, com aplicação de tecnologia e inovação. Essa é a pauta do século 21. E essa é a mudança que temos que implementar na economia brasileira”, disse.
Segundo Tatiana Lacerda Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, que coordena o Plano Nacional da Cultura Exportadora, atualmente 14 estados brasileiros exportam, individualmente, menos de 1% do total comercializado pelo País no mercado exterior. “O objetivo é mobilizar e capacitar gestores públicos, empresários de pequeno e médio porte, e profissionais de comércio exterior para aumentar e qualificar a base exportadora”, explicou a secretária.
O Plano Nacional da Cultura Exportadora abrange 22 estados, e tem cinco eixos de atuação: promoção comercial, cultura exportadora, inteligência comercial e competitiva, ambiente de negócios, diversificação e qualificação da pauta exportadora. O MDIC informa que, a partir de agendas de trabalho construídas com os governos estaduais, foram elaborados Mapas Estratégicos para 14 estados e Planos de Ação para oito estados. Foram selecionados para cada estado setores estratégicos para o comércio internacional com definição de ações e atividades.
Os Mapas Estratégicos foram entregues para Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo (o primeiro estado a receber um Mapa, em 13 de agosto), Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Estes foram considerados os estados com número considerável de empresas exportadoras ou com potencial exportador, e em que há ambiente institucional favorável para o comércio exterior. O MDIC prevê também a elaboração de um Mapa Estratégico para o Rio de Janeiro. Com número reduzido de empresas exportadoras e com ambiente institucional em desenvolvimento (fase inicial), oito estados receberam Planos de Ação. São eles: Acre, Alagoas, Amapá, Paraíba, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), lembra que já houve no passado tentativas de criar uma cultura exportadora no País, mas sem sucesso. “Existe uma concentração no Sudeste tanto na receita das exportações quanto no volume. Os embarques do Centro-Oeste cresceram nos últimos anos por causa do agronegócio do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. E muitas vezes estes estados são prejudicados porque se encarregam da produção enquanto outro estado, na qual está a sede da companhia, cuida dos embarques”, explica.
Para o executivo, o Plano Nacional da Cultura Exportadora merece elogios por ter sido criado, mas ele acredita que, antes de colocar em prática um plano de fomento das exportações, o governo tem que primeiro melhorar as condições para que elas ocorram. “Se não der condições, não tem cultura exportadora. Se continuarmos com um sistema tributário arcaico, burocracia excessiva e um elevado custo de produção, não vai adiantar fomentar as vendas externas nacionais”, conclui.
Para executar o plano, o MDIC conta com a parceria das seguintes instituições: Apex-Brasil, Agência Brasileira do Desenvolvimento Industrial (ABDI), Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Caixa Econômica Federal, Confederação Nacional da Indústria (CNI), Correios, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Sebrae, Senac, Senai e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Fonte: Banco do Brasil.