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27/08/2012

BAIXA DEMANDA MUNDIAL ANULA EFEITO DO DÓLAR NA EXPORTAÇÃO

A demanda mundial baixa, em função da crise econômica, está minimizando os benefícios que a valorização do dólar poderia ter sobre as exportações brasileiras e as receitas das empresas com o comércio internacional. Apesar de a moeda norte-americana ter fechado julho na casa dos R$ 2, diante de uma cotação de R$ 1,8 no começo deste ano e de R$ 1,5 em julho de 2011, a exportação brasileira recuou 10% no acumulado deste ano até o final do último mês.
“Com a demanda menor, os preços de alguns produtos, como minérios e alguns grãos, estão caindo. Isso neutraliza o efeito do câmbio”, afirma Luís Filipe Rossi, professor de Economia e Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).
O economista e integrante do grupo de pesquisa Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento, Luciano D’Agostini, também não acredita que a atual cotação tenha trazido benefícios para as empresas exportadoras, já que a taxa real de câmbio não é tão favorável assim ao Brasil. A taxa nominal é o preço da moeda estrangeira em relação à nacional, mas a taxa real leva em conta também a inflação nos dois países envolvidos na transação.
“Nossa inflação ainda é elevada se comparada a de outras economias, apesar de estar dentro da meta. Precisaria estar em 3% a 4% [ao ano]“, afirma D’Agostini. O IPCA dos últimos 12 meses ficou em 5,2%. A taxa real é importante porque ela representa a real capacidade de compra das empresas brasileiras.
Claro que há algum benefício para os exportadores com a valorização do dólar em relação a períodos em que a moeda esteve depreciada. Mas sem um cenário de crise e demanda baixa, porém, os exportadores poderiam viver um momento muito melhor.
Rossi afirma que está ocorrendo recuperação econômica nos Estados Unidos, mas o problema, segundo ele, é a Europa e as importações menores da China. Apesar dos EUA serem o segundo maior mercado internacional do Brasil, individualmente, a Europa como um todo tem mais peso na balança comercial brasileira do que os norte-americanos. Rossi acredita na recuperação da Europa só no médio prazo.
Por outro lado, a competitividade das exportações pode ficar maior com uma nova queda na taxa de juros. O recuo dos juros torna o mercado brasileiro menos atrativo para investidores de fora, o que diminui a entrada de dólares no País e pressiona para cima a cotação da moeda norte-americana. Atualmente a Selic, taxa básica dos juros do Brasil, está em 8% ao ano. D’Agostini acredita que ela pode ser reduzida para 7% até o final deste ano.
Uma taxa menor de juros, além de impacto no câmbio, favorece os investimentos das empresas brasileiras e lhes permite atender com mais competitividade o mercado interno e externo. D’Agostini afirma que para a melhora das exportações, no entanto, é importante que haja reforma estrutural no Brasil, com redução de tributos, mais produtividade do trabalho pela capacitação dos trabalhadores e melhorias na logística.


Na contramão


Apesar da queda das exportações brasileiras como um todo no acumulado deste ano, algumas empresas tiveram aumento de receitas com o comércio internacional no segundo trimestre. Entre elas estão companhias que trabalham com mercados emergentes, como os países árabes, e que não estão vivendo a crise como a Europa ou Estados Unidos. O Frigorífico Minerva, por exemplo, teve crescimento de faturamento de 25% com o mercado externo em reais, no segundo trimestre de 2012 sobre o mesmo período de 2011, diante de um avanço menor, de 16%, na receita bruta como um todo.
Também a Randon, que vende pra o mundo árabe, aumentou em 22% a receita com exportação, apesar da queda de 18% na receita total no segundo trimestre do ano. O faturamento da BR Foods com vendas internacionais cresceu 11% no trimestre, enquanto a receita com o mercado interno avançou apenas 7%. O Oriente Médio respondeu por 35,2% das exportações da fabricante de alimentos. Em seus balanços todas as companhias citadas atribuem parte dos avanços com exportação à valorização do dólar.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe.