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27/08/2012

REDUZIR POBREZA NÃO BASTA, DIZ CEPAL

A América Latina teve sucesso em reduzir a pobreza na última década. Agora é hora de os governos agirem com força para combater a desigualdade e, assim, assegurar os ganhos sociais obtidos recentemente. Essa é uma das conclusões da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), que abre hoje seu 34º período de sessões, em El Salvador.
O órgão das Nações Unidas apresentará suas propostas durante o evento, que reunirá delegados de 44 países-membros e 8 associados à comissão. Elas estão resumidas no livro "Mudança Estrutural para a Igualdade: Uma Visão Integrada do Desenvolvimento". Com mais 300 páginas, a obra "propõe um caminho concreto para o crescimento de longo prazo com igualdade e sustentabilidade ambiental" na América Latina.
Antonio Prado, secretário-executivo-adjunto da entidade, afirma que a região vive uma espécie de "inércia" com relação à redução da desigualdade. E que os governos precisam agir ativamente para criar um cenário que favoreça essa diminuição. "Essa inércia não pode ser superada apenas com mecanismos de mercado", afirma. "São esses mecanismos que ajudam a potencializá-la."
Prado exemplifica dizendo que os setores de alta produtividade, responsáveis por 66,9% do PIB regional, geram apenas 19,8% dos empregos. Já os de baixa produtividade, incluindo-se aí os informais, respondem por 10,6% do PIB, mas empregam 50,2% das pessoas. Nesse estrato está a faixa mais vulnerável, que pode voltar rapidamente à pobreza. "Os investidores privados procuram setores onde há mais rentabilidade. O setor público tem que tomar a iniciativa", diz. "Não é hora de os governos cortarem investimentos. É preciso uma política industrial para melhorar a qualidade do emprego."
Os governos devem também atuar em outras frentes, como a política fiscal. "A carga tributária média na região, de 18%, 19%, é muito baixa para dar aos governos musculatura para investir", diz ele.

Fonte: Valor Econômico.