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28/08/2012

CNA RECOMENDA CAUTELA A PRODUTORES DE SOJA

Muitos agricultores brasileiros têm planos de ampliar a área da lavoura de soja no ciclo 2012/2013, que começa em setembro, para aproveitar os bons preços do mercado, que atingiram patamares quase recordes, ocasionados pela quebra de safra nos Estados Unidos, principal produtor mundial da commodity – o Brasil é segundo maior. No entanto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) fez um alerta na última sexta-feira a esses sojicultores, pois avalia que os atuais elevados preços do cereal não deverão se manter nesta safra que se inicia.
Uma forte seca atingiu o Centro-Oeste norte-americano este ano, principal região produtora da commodity naquele país. Tanto que, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), divulgado na semana passada, apenas 31% da colheita dos EUA do cereal estavam em condições boas. O percentual que está em condições regulares chegou a 32%, e, em condições ruins e muito ruins, a 37%. O órgão prevê, inclusive, que a produção do Brasil deverá somar 81 milhões de toneladas na safra 2012/13, ultrapassando a colheita norte-americana, que se encontra no fim, em 9,7%.
José Mário Schreiner, vice-presidente de Finanças da CNA, diz que é preciso cautela na hora de calcular o aumento da área a ser plantada com soja para aproveitar o bom momento de preços internacionais, pois, segundo ele, a tendência atual é de recuperação da produção norte-americana. Ainda segundo o executivo, a elevada cotação de preços poderá se sustentar até o final da colheita, mas corre o risco de ser afetada pelo aumento da safra Argentina, terceiro maior produtor mundial do cereal.
De acordo com Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista e analista da Scot Consultoria, existe hoje muita incerteza no mercado da soja. “Não se sabe se os preços já atingiram o patamar máximo ou se ainda existe espaço para crescer. Neste ano, a saca da soja chegou a ser negociada entre R$ 60 e R$ 85, valores muito maiores do que os praticados no ano passado. Fica então a incerteza. Os preços vão subir até quando?”, diz.
“De uma forma geral, a soja brasileira na safra 2012/13 deve ganhar espaço sobre milho e algodão. A estimativa é do mercado nacional e é semelhante a da USDA. Ou seja, a área de lavoura deve crescer de 5% a 8% de hectares, o que significa de 900 mil a 1 milhão de hectares a mais”, afirma.
Além da recuperação da lavoura norte-americana e do aumento da produção na Argentina, Ribeiro lembra que o clima também poderá afetar a cotação da soja na safra que se inicia. “Após o Brasil registrar um mês de agosto muito seco, o fenômeno climático conhecido como El Niño pode antecipar as chuvas em território nacional e aumentar a produtividade da plantação da soja no País”, explica. “O mercado já fala em um grande volume de chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste brasileiro, regiões que concentram as lavouras de soja”, finaliza.

Fonte: Banco do Brasil.