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23/02/2012

A CADA TRÊS PRODUTOS CONSUMIDOS NO BRASIL, UM É IMPORTADO

Um a cada três produtos consumidos no País, em 2011, veio de fora. A constatação é da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em pesquisa realizada pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da federação.
O número causa ainda maior impacto quando comparado à variação consumista ao longo dos últimos anos. A marca é ainda mais acentuada, já que é a maior desde 2003. O estudo levou em consideração o coeficiente de importações no Brasil, que bateu a casa dos 23,1% no ano passado, maior que em 2010, quando o índice chegou a 21,8%. O indicador mostra a parcela das importações na indústria brasileira. Numa conta matemática, o coeficiente é dividido pela produção – exportações + importações.
Nesse quesito, quem mais apresentou alta no coeficiente de importação no consumo foi o setor de tratores, máquinas e equipamentos para agricultura, que atingiu alta de 8,6%. Em segundo lugar vieram os materiais eletrônicos e aparelhos de comunicação, com 5,1%. Na contramão, equipamentos médico-hospitalares, siderurgia e aeronaves tiveram quedas, com 6,1%, 3,9% e 1,8% respectivamente.
Segundo o professor de Administração, Publicidade e Propaganda e Tecnologia da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), Manuel Fernandes Silva Souza, o fascínio pelo importado tem várias frentes com o consumidor.
“Num primeiro momento, o que pode fascinar é o preço e a inovação, embutidos na importação. É aquilo que não existe no País, mas é feito no Exterior. Já em outro momento, há a apelação pelo novo, além de preço igual ou até mais barato” apontou o docente.
Outro motivo que leva o consumidor brasileiro a “brilhar” os olhos diante do importado é a simbologia. “Dependendo do tipo de mercado, o status faz toda a diferença para o consumidor. É algo válido, conta muito nesse nicho”, completou o professor Manuel, que também atua na como diretor comercial da empresa SPTF (Sociedade Paulista de Tubos Flexíveis), também situada na região.
Quando o produto brasileiro é posto lado a lado com o estrangeiro, pelo menos no que tange à qualidade, a estimativa de mercado é que ambos se equilavem, mesmo com a alta no consumo de importados, apontada pela pesquisa da Fiesp
“A rejeição ao nacional está diminuindo muito. O produto nacional acompanha normas de fabricação internacional, diferente de um produto chinês, que tem tido sérias restrições”, garante o professor universitário.
Exportação é apenas de insumos
Na direção oposta à alta aceitação do produto estrangeiro, as exportações brasileiras passam por bom momento no Exterior. “O produto produzido aqui é bem avaliado lá fora, de uma maneira geral, pela qualidade”, garante Jeferson dos Santos, professor de Práticas de Comércio Exterior e Sistemática de Comércio Exterior da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) . 
No entanto, o problema das exportações brasileiras fica por conta do tipo de produto. Ao invés de itens agregados, o País exporta muitos produtos primários. Ao invés de enviar farelo soja ao mercado gringo, por exemplo, o acaba despachando soja. “A geração de emprego fica toda lá fora. O item primário que é feito aqui volta ao País como agregado, mais caro para o consumo interno”, aponta o professor. A saída seria o incentivo fiscal da produção nacional e investimento em parques logísticos, maior obstáculo do setor. 
“O Porto de Santos é um dos mais caros do mundo e dos poucos no Brasil. Vira um funil no escoamento da produção. Não tem opção”, critica o professor. Na tentativa de auxiliar as indústrias da região, o docente participa do projeto Espaço do Exportador, ligado à Prefeitura de São Bernardo.  O local dá apoio gratuito a empresas em processos de exportação. “A procura, infelizmente, é baixa porque as empresas acham que não são competitivas, quando na verdade deveria ser o oposto. Estrategicamente, qualquer empresa deveria dedicar entre 5% a 15% da produção ao mercado externo”, diz. 
Sonho de consumo de muitos brasileiros, o automóvel importado também caiu no gosto nacional. Segundo a Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importados de Veículos Automotores), as vendas de carros produzidos fora do País cresceram 87,4% em 2011. Ao todo, 199,3 mil veículos desembarcaram no Brasil rumo a alguma garagem. A campeã de vendas é a Kia Motors, com 77,1 mil carros emplacados no País em 2011. Apesar da alta, a marca representa apenas 5,8% das vendas totais do setor no Brasil ano passado.

Fonte: Site Repórter Diário.