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30/08/2012

JAPÃO ABRE MERCADO À CARNE SUÍNA DO BRASIL

Após quatro anos de negociações com o governo federal, o governo de Santa Catarina e o setor exportador de carne de porco, o Japão anunciou na segunda-feira a abertura do mercado consumidor para o produto brasileiro. A liberação ocorreu após a carne suína catarinense ter sido aprovada em avaliação de risco pela Comissão de Sanidade Animal do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca do Japão. O país é o maior importador da mercadoria no mundo – mas não comprava o produto no Brasil.
A estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs) é de que o início efetivo das vendas para o Japão ocorra em 60 dias. “O Brasil, através de Santa Catarina, poderá fornecer cerca de 15% da carne suína importada pelos japoneses já em 2013, um volume significativo”, diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs. “A abertura do mercado japonês ajudará a minimizar os efeitos do embargo russo e da sobretaxa sul-africana ao produto brasileiro”, avalia. Atualmente os Estados Unidos são o principal vendedor de carne de porco para o Japão.
De acordo com a Abipecs, o próximo passo é negociar o Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a carne suína proveniente de Santa Catarina. Segundo Pedro de Camargo Neto, falta ainda definir os termos do CSI, a ser emitido pelas autoridades do Brasil. O certificado acompanhará as remessas, garantindo que os requisitos de sanidade animal da carne suína atendam todas as exigências apresentadas pelas autoridades japonesas durante o processo de aprovação.
Os secretários Enio Marques e Célio Porto, de Defesa Agropecuária e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), estiveram ontem em Tóquio para apresentar uma primeira proposta de CSI às autoridades do Japão.
Os japoneses ainda deverão aprovar uma lista de estabelecimentos de abate que atendam as exigências de saúde pública em relação à higiene e controles laboratoriais. “Avaliamos que, após a abertura do mercado japonês, as etapas seguintes sejam equacionadas muito rapidamente”, afirma Camargo Neto, da Abipecs.
Segundo a associação brasileira, a primeira missão veterinária do Japão a Santa Catarina ocorreu em dezembro de 2007, quando dois cientistas vieram conhecer a situação da febre aftosa no Brasil. Um ano depois da primeira visita da missão japonesa, as autoridades sanitárias japonesas enviaram extenso questionário a ser respondido pelo Brasil, documentando de maneira detalhada o sistema produtivo e os serviços públicos da União e de Santa Catarina.
Em março de 2009, o Brasil devolveu o questionário preenchido. Nos meses seguintes, no entanto, o Japão continuou a solicitar esclarecimentos e informações adicionais. Em setembro de 2011, os japoneses enviaram uma nova missão veterinária para conhecer a situação in loco e para confirmar partes da documentação apresentada durante todo o período. Esta inspeção foi o último passo para o processo, que culminou na abertura de mercado anunciada na segunda-feira.

Fonte: Banco do Brasil.